Vida ética

Vida ética | resenha por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Peter Singer

Em épocas tumultuosas como a que vivemos atualmente, seja, por exemplo, no plano político, com todas as revelações de corrupção que chocam dia após dia o país, seja no campo ambiental, com a grande preocupação que nos causa a redução da oferta de água, um bem essencialmente único para a vida, uma questão surge como vital para o debate público: a ética.

Futuco a estante e encontro o livro de um excelente filósofo australiano: Vida ética, de Peter Singer. Ele tem uma vasta obra publicada além desse: Ética prática, Quanto custa salvar uma vida, Libertação animal e por aí vai.

Esse, que hoje comento, é, na verdade, uma seleção de diversos artigos e trechos de outros livros dele. Vale como um resumo da obra. Nele temos desde artigos gerais sobre o que é a ética, até debates sobre a defesa dos direitos dos animais, sobre a questão da fome e da pobreza, interesse pessoal e política.

Singer é um filósofo que já causou muita polêmica, seja por suas posições sobre eutanásia, ou por suas posições sobre a defesa dos direitos dos animais, e, ainda, por sua visão de ética ser baseada no utilitarismo, mesmo que não aquele clássico de Jeremy Bentham, pois Singer coloca a preocupação com aqueles, digamos, atingidos pelas melhores consequências e a mitigação dos danos. Um utilitarismo prático, sensível, sensato.

A importância da obra de Singer, seja de modo geral, seja desse livro, é que ele nos coloca a importância e a responsabilidade que temos por nossas decisões, e a não convencional com que analisa as coisas, além de ter esse viés prático para a análise ética de nossas atitudes.

Precisamos pensar as nossas escolhas, e as atitudes delas decorrentes, dentro de uma gama de fatores, não há a priori, como coloca Singer, nenhuma contradição entre o interesse pessoal e a ética. Para além disso, é necessário que nossas escolhas reflitam um compromisso com o presente e o futuro. Como ele destaca “A ação altruística é fácil de reconhecer como ação ética, mas a maior parte do comportamento ético é bastante compatível com o interesse pessoal do indivíduo. […]. A ética se encontra em toda parte no nosso cotidiano. Ela está por trás de muitas de nossas escolhas, quer pessoais, quer políticas, ou criando uma ponte sobre o abismo que separa ambas. Às vezes ela vem a nós com desenvoltura e naturalidade; em outras circunstâncias, pode tornar-se extremamente exigente”.

Me parece que estamos nesse momento extremamente exigente, que, cobrando, a ligação das escolhas pessoais com as escolhas políticas, cobra de nós atitudes para enfrentar o descalabro moral que vivenciamos na política e o risco ambiental que estamos observando. Hora de escolhas que afirmem a capacidade de sair desses impasses. Boa política se faz com compromisso, ética e competência.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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