Tecnologia para uma vida melhor

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Simplificar e capacitar

Em 1996, ou por aí, li um livro muito instigante do grande economista canadense, naturalizado estadunidense, John Kenneth Galbraith, intitulado A sociedade justa: uma perspectiva humana. Galbraith, além de acadêmico, foi assessor econômico do presidente John Fitzgerald Kennedy.

O livro é resultado de uma série de palestras, e nele o autor discute temas que tinham relevância histórica e/ou que estavam na “crista da onda” do debate público de então. Temos lá questões como migração, questão nuclear e armamentista, privatizações, funções dos governos, saúde e educação, entre tantos outros.

O tema da educação foi, com certeza, o que me chamou mais atenção. Nele Galbraith destacava que a educação tinha três funções fundamentais. A primeira, e sempre muito destacada, é a sua função de qualificação das pessoas para o mundo do trabalho e o consequente aumento da renda; a segunda é uma vida mais gratificante, pois a educação propicia às pessoas a possibilidade de aproveitar as criações da cultura humana de modo mais pleno, tanto em aspectos físicos e materiais (melhor saúde, por exemplo) quanto em aspectos subjetivos, aproveitar a cultura e a arte; e a terceira é que a educação permite aos cidadãos maior autogoverno – no sentido de capacitar as pessoas a agir no espaço público e na vida social – e de maior participação nos assuntos de governo, públicos, portanto.

Me parece que temos aqui um bom roteiro para a utilização da tecnologia para uma vida melhor. As três funções destacadas por Galbraith para a educação, e que para ela também continuam válidas, por óbvio, são sumamente atuais para o uso da tecnologias em nossas vidas, em nossas relações sociais e em nossas relações políticas e com os governos.

Muito disso já está acontecendo, por certo. Programas de computador que nos lembram de tomar água, de fazer exercício, de monitoramento cardíaco, acompanhamento das notas escolares dos filhos, visitas virtuais à museus, e por aí vai.

Podemos, no entanto, fazer mais e melhor. O passo fundamental, neste momento, me parece, é capacitar os cidadãos de todas as idades, classes, de faixa de renda, ao uso da tecnologia e estimular a criação de programas de computador que sejam cada vez mais completos e amigáveis, fáceis de usar.

Capacitar nossas crianças e jovens é um caminho essencial, não só no uso, mas também, e principalmente, no desenvolvimento dessas ferramentas.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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