Saúde, prevenção e o SUS

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS), embora tenha apresentado problemas crescentes no atual governo, é ainda o setor onde a Federação brasileira trabalha melhor. Não só como articulação federativa, mas como estratégia de serviço público.

Ele aborda o estoque de problemas de saúde da comunidade colocando o cidadão como o protagonista de sua própria saúde. O melhor “médico” das nossas vidas somos nós mesmos. No sentido de que boa parte das doenças que temos tem a ver com o estilo de que levamos. Por certo, existem doenças congênitas e doenças provocadas pelo ambiente que não temos como controlar, mas essa não é a regra.

No SUS há uma divisão objetiva entre o que faz o município, o estado e a União. O município faz a prevenção e a atenção básica, o estado os procedimentos de média complexidade, as especialidades, as cirurgias. Já a União, além de gestora financeira do sistema, que arrecada o dinheiro e distribui para os outros níveis de acordo com o que fizeram, paga pelos procedimentos feitos no hospital do estado e realiza os procedimentos de alta complexidade, como os transplantes.

Evidente que o SUS tem problemas. Uma questão é que as tabelas de especialidades e de procedimentos não está sendo atualizada como deveria. Isso gera situações de subfinanciamento, dificuldades para hospitais filantrópicos e para a ação de estados e municípios, que tiveram todos que arcar com crescente participação no financiamento do sistema, mas, insisto, a estratégia é correta.

Correta no sentido de que o sistema implica em você ter a visão preventiva, a visão da atenção básica, a visão de que nós somos os melhores “médicos” de nós mesmos.

Por certo, isso não exclui o papel dos poderes públicos para que o sistema consiga dar conta de resolver os problemas de doença que surgem em nossas vidas.

Junto com a educação, especialmente a infantil e fundamental, a saúde é uma ação fundamental para a qualidade de vida e a melhoria das condições socioeconômicas da população. Para isso, ser sempre algo palpável, precisamos investir em prevenção e atenção básica, papel dos municípios.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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