Saúde, prevenção, atenção e o papel dos municípios

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Saúde da Família

O papel dos municípios no Sistema Único de Saúde (SUS), como já apontamos no artigo de terça-feira, é o de se concentrar na prevenção e na atenção básica à saúde. Isso é ainda mais relevante quanto mais pobres e/ou menos instruídas são as pessoas.

Numa situação de pobreza, qual a melhor estratégia da saúde? É fazer como fizemos, durante o meu governo (1997-2004), com as equipes do Programa Saúde da Família (PSF), hoje chamada de Estratégia de Saúde da Família (ESF): mapear, ter a ficha de todo mundo, saber em cada lugar de atuação das equipes, quais são as crianças de até 30 dias (as que precisam de mais apoio), quantas são as crianças de até 1 ano, quem são os hipertensos, os idosos, os diabéticos, os obesos. Quem são as pessoas com dependência química, alcoolismo ou outro tipo de transtorno psicológico. Quem são as pessoas com diagnóstico de depressão, onde elas estão? Essas pessoas tem que ser visitadas sempre.

Em Vitória, construímos 29 unidades de saúde, mas não construímos nenhum hospital. Os hospitais são para procedimentos de média complexidade, e devem ser feitos pelo estado ou por organizações filantrópicas. Um dos problemas dos hospitais é que eles ainda estão atendendo um tipo de demanda que não é hospitalar. Por isso, quando começamos o Saúde da Família, íamos ao hospital infantil, e encontrávamos pacientes que poderiam estar sendo atendidos nas unidades básicas de saúde e até em casa, porque não eram pacientes de procedimentos hospitalares.

Por isso, em nosso governo investimos muito num trabalho de treinamento / informação / conscientização da população. Isso servia a dois propósitos claros: promover a prevenção, estimulando os comportamentos e atitudes saudáveis, e diminuir a pressão desnecessária sobre o sistema de saúde.

Meritória e competente tem sido a estratégia do Secretário Estadual de Saúde, Ricardo de Oliveira, tanto no campo de gestão e oferta eficiente de serviços, com a regionalização das especialidades, a transparência das filas on-line, e com a divulgação e a promoção de hábitos saudáveis, por meio da campanha dos 21 dias, que, como temos destacado nos posts da semana, focaliza no cidadão como agente fundamental de sua saúde.

Em que pese a qualidade profissional dos servidores de saúde da Prefeitura de Vitória, muito desse esforço se perdeu. Por falta de foco, de gestão, de projeto. Retomar um trabalho de prevenção e atenção básica à saúde é fundamental. Isso deve ser feito de forma compartilhada, envolvente. A saúde e a qualidade de vida dos habitantes da cidade agradecem.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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