Reuso da água

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Convicção

Estou convencido, como apontei no post de terça-feira, de que a questão da escassez hídrica e energética é uma das matrizes da transformação estrutural de nosso país. E algo que, mesmo que não em situação tão dramática quanto a atual, veio para ficar. Precisamos repensar o uso da água e da energia em nosso país.

Não é possível, nem aceitável, que continuemos a viver desperdiçando água da maneira como estamos fazendo ao longo dos tempos, pensando que é um recurso inesgotável. Como estamos vendo todos, as dificuldades – que pensávamos ser problema do futuro e de outros países, nunca nosso – chegaram, bateram à nossa porta e estão aqui para ficar. Mudanças climáticas, aquecimento global. Precisamos respeitar o presente e ter compromisso com o futuro. A ética exige também um compromisso inter geracional.

O paradigma mundial das cidades com qualidade no mundo, no que tange à questão da água-esgoto, é o reuso de água e a utilização do resíduo sólido do esgoto para a geração de energia.

Vale destacar que a Companhia Espírito Santense de Saneamento (CESAN), que faz trabalho eficiente de captação, tratamento e distribuição de água, já está estudando junto a Vale, como uma grande consumidora que é, o reuso de águas das estações de Camburi e Mulembá. Essa é uma excelente iniciativa que merece ser estimulada e ampliada. Ação concreta de defesa do meio ambiente e de nossa qualidade de vida.

Os padrões construtivos devem mudar para que incorporem maior incidência de luz natural nas edificações e a captação das águas da chuva. A produção agrícola e pecuária também deve ser estimulada a rever seus procedimentos. Para ambos os casos é fundamental a integração com a pesquisa científica. Devemos, ainda, trabalhar com o máximo de divulgação dos avanços já conhecidos para esses campos.

Precisamos estimular o reuso da água para os vasos sanitários, regar os jardins, lavar carros, entre outras atividades. Não dá para pensar que tenhamos que usar água clorada e fluoretada para darmos descarga, regar nossas plantas e lavar nossos carros. Plantas, vasos sanitários e carros não correm o risco de ter cáries.

foto: Nathália Poloni

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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