Rápido e devagar: duas formas de pensar (resenha)

O psicólogo e matemático Daniel Kahneman, prêmio Nobel de Economia em 2002, traz para o grande público o resultado de suas pesquisas experimentais sobre o comportamento humano, o livro “Rápido e devagar: duas formas de pensar”, com uma profunda análise sobre as formas de pensar das pessoas e sobre o processo decisório. Mesmo sendo de 2011, já é um clássico.

No livro, Kahneman reinventa a microeconomia com seus experimentos sobre os processos decisórios dos seres humanos, os tais agentes econômicos individuais. Para analisar esses processos o autor separa as nossas formas de pensar em duas: uma intuitiva, emocional e rápida; e outra lenta, lógica e reflexiva. Caracterizando esses dois tipos de pensamentos como sendo dois processos inteiramente diferentes que convivem no cérebro, o autor mostra como a forma rápida é fundamental para o dia a dia das pessoas e também como está sujeita a enganos e ilusões cognitivas.

Com a análise que o livro apresenta temos condições de entender de forma mais ampla inúmeros de nossos comportamentos: aversão à perda, excesso de confiança no processo de tomada de decisões estratégicas, dificuldade de antever o que nos deixará felizes no futuro e os desafios de identificar os riscos que enfrentamos no trabalho e em casa. Esses são apenas alguns exemplos de questões que só podem ser compreendidas se entendermos como as duas formas de pensar estruturam nossos julgamentos.

Kahneman obrigou os economistas a revisarem a aplicação universal do conceito de “homus economicus” e da expectativa de racionalidade nas decisões econômicas dos indivíduos. Assim, o comportamento de manada num momento de crise financeira, por exemplo, pode ser melhor compreendido contribuindo muito para a redução da arrogância de boa parte das análises econômicas mais comumente aceitas até a crise de 2008.

As ideias abordadas em “Rápido e devagar” contribuem para a importância de analisarmos os processos decisórios de modo geral, sejam os individuais ou os coletivos, no âmbito das empresas, por exemplo. Fazendo-nos pensar sobre nossa desconsideração cotidiana dos riscos que o futuro nos reserva em oposição a uma tendência de supervalorizar os riscos do presente. Por tudo isso, e muito mais, é uma leitura que recomendo. Jorge Luís Borges, o grande escritor argentino, afirmou certa vez que “sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria”. Esse é um livro que merece estar na livraria.

Veja o site do Daniel Kahneman aqui

Palestra de Daniel Kahneman na TED Talks aqui

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