Populismo chavista derrotado na Venezuela

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

A derrota do populismo e da demagogia

No último domingo – dia 6 de dezembro – os venezuelanos desferiram o golpe mais duro que o populismo sofreu nos últimos tempos na América Latina. O regime chavista liderado por Nicolás Maduro sofreu acachapante derrota nas eleições.

Das 167 cadeiras da Assembleia Nacional, poder legislativo federal unicameral venezuelano, a oposição da Mesa de Unidade Democrática (MUD) elegeu 112 cadeiras e o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) somente 51 lugares. Faltam definir quatro cadeiras.

Mesmo o diário online El País Brasil mais contido, via de regra, classificou o resultado como “uma surra monumental para a figura e a gestão do presidente Nicolás Maduro” (veja aqui)

Essa derrota tem significado bastante importante para toda a América Latina. Foi Hugo Chávez, falecido em 2013, que quando chegou ao poder em 1999 que começou um agressivo “internacionalismo” latino resgatando o decadente regime cubano e – pouco a pouco – formando uma aliança bolivariana na região.

Com o poder dos então abundantes recursos do petróleo Chávez articulou uma frente com Cuba, Argentina, Equador, Nicarágua e Bolívia, de forma mais direta, e o Brasil, Chile e Uruguai de forma mais dissimulada. Foi assim, por exemplo, que a Venezuela conseguiu entrar no Mercosul.

Todos esses regimes – com as nobres exceções de Chile e Uruguai – têm como característica central de sua política econômica a destruição dos fundamentos econômicos básicos e um forte populismo cambial. Todos têm levado suas economias ao menos à graves problemas e no limite à ruína, caso venezuelano.

Não foi outra a razão fundamental para o desastre eleitoral. A catástrofe econômica daquele país. Resultado da queda do valor do petróleo e da desastrosa política de estatização a economia venezuelana terá queda de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) esse ano, com uma inflação de cerca de 150% (cento e cinquenta por cento), isso mesmo, além de um desabastecimento generalizado.

O regime chavista é o campeão na destruição econômica de seu país, mas o kirchenerismo argentino – derrotado duas semanas atrás – e o lulodilmismo – que em que pese conseguir se manter no poder, também conduz o país para o precipício econômico, sendo derrotado mais cedo ou mais tarde, não ficam muito atrás.

Venezuelanos e argentinos mostram a todos nós que existe vida após o populismo e a demagogia. Não será fácil, na Argentina, na Venezuela ou aqui, mas cabe reconstruir os nossos países e avançar para o desenvolvimento de sociedades com estabilidade e qualidade de vida.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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