Planejamento Estratégico para as cidades

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Estruturando

Carlos Matus, sobre quem falei aqui na quarta-feira, é um defensor de que o governante precisa ser um técnico-político. O técnico faz a conta, mesmo diante de um problema semi-estruturado, das consequências de seus atos, o político vai costurar o interesse comum. Nessa visão, portanto, o governante precisa começar se estruturando para resolver o que fazer, dentro da melhor técnica gerencial possível.

Para fazer isso, entretanto, o governante deve conhecer dois conceitos fundamentais da ação de governo: planejamento e raciocínio estratégico. Vamos a eles em poucas palavras, sempre nos baseando nas ideias desse teórico do planejamento oriundo do setor público.

Planejamento é o raciocínio que precede e preside a ação. Planejar é pensar no que se vai fazer amanhã, semana que vem, mês que vem, ano que vem, em quatro anos. Significa trazer para hoje o máximo de decisões que se puder.

O conceito de estratégico é decisivo. Ao longo do dia tomamos várias decisões operacionais, vamos fazer a barba ou não, cortar a unha ou não, almoçar ou comer um “lanchinho” e por aí vai. Raciocínio estratégico são decisões amplas que orientam as decisões tático-operacionais. Decidir uma profissão é uma decisão estratégica. Para se habilitar numa profissão demoram-se anos. No âmbito das cidades, por exemplo, esse tipo de raciocínio requer pensar num nível de abstração maior que se oriente pelo processo das múltiplas forças que estão agindo na cidade e no seu entorno, que a estão fortalecendo ou contribuindo para um possível enfraquecimento.

Matus tem um excelente livro chamado Adeus, senhor presidente. Nessa obra ele descreve a metodologia do planejamento estratégico situacional e conta a história de um governo que se elegeu prometendo mudanças. Mudanças no combate à inflação, no combate à miséria, no enfrentamento da guerrilha, na diminuição das desigualdades e por aí vai. Passam-se quatro anos e o governo não consegue fazer nada e saí pela porta dos fundos.

Para governar, e produzir resultados para a sociedade, há que se planejar e raciocinar estrategicamente. Um bom governo não se faz com discursos “bonitinhos” e promessas vazias de mudança, como todos podemos ver.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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