Pesquisa Datafolha: considerações, com uma preocupação

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Recordes de avaliação negativa

Na última pesquisa Datafolha, realizada nos dias 17 e 18 de junho e divulgada no dia seguinte, a presidente Dilma Rousseff bateu, mais uma vez, os recordes de avaliação negativa de seu governo por parte dos cidadãos brasileiros.

Somos agora 65% dos brasileiros que consideramos o seu governo ruim ou péssimo, contra 60% no mês de abril – quando foi realizada a pesquisa anterior, contra 10% que o consideram ótimo ou bom, eram 13% no mês retrasado. A nota média de seu governo também caiu: dos 3,8 de abril foi reduzida para 3,4 esse mês, 31% dos brasileiros lhe atribuem nota zero.

Isso não espanta diante da verdadeira mistificação que foi produzida durante seu primeiro mandato (2011-2014) e, especialmente, da mentirada completa que marcou a sua campanha para a reeleição. O mundo paralelo de Alice no país das maravilhas que a senhora presidente Dilma Rousseff pintou durante todo esse período – comprando seu mandato – com a destruição progressiva e constante dos fundamentos da economia brasileira cobra agora a sua conta.

Diante da destruição do setor de energia e de petróleo e gás operada por ela e sua dupla de mágicos da embromation economics, Guido Mantega e Arno Augustin, com redução de preços para controlar a inflação e se promover eleitoralmente, diante do anúncio de programas e mais programas eleitoreiros sem base real na capacidade orçamentária de sustentá-los continuamente – FIES, Prouni, Minha Casa, Minha Vida; em comparação ao que estamos vivenciando agora, com tarifaço de energia, abandono dos postulados ideologizados petistas para o setor de petróleo e gás e na área de concessão de serviços públicos, de uma inflação crescente e que, segundo o Banco Central do Brasil, deve subir ainda mais até o fim do ano, chegando aos 9%, do desemprego que não pára de aumentar e tantos indicadores ruins e piorando, podemos esperar para as próximas pesquisas do Datafolha índices ainda piores.

Dilma Rousseff colhe o que plantou. Infelizmente, quem paga a conta da imprudência, da imperícia e da incompetência, são os cidadãos brasileiros.

Um dado da pesquisa, no entanto, me chamou a atenção: 58% dos brasileiros, perguntados se o voto não fosse obrigatório, disseram que não votariam no próximo ano. Esse é um número recorde na pesquisa do Datafolha. Com o desencanto diante da mentirada e da mistificação quem colhe espaço político pode ser a antipolítica. Como, aliás, tem ocorrido em alguns países varridos por crises econômicas.

Importante que todos aqueles que, confiam no Brasil e no seu futuro, em que pese esses doze anos de desastre político-econômico-ético operado por Dilma, Lula e o seu partido, coloquem a necessidade da mudança ser operada na política e pelas forças que têm projeto de desenvolvimento para o país, baseado em premissas sustentáveis e avançando para o desenvolvimento inclusivo e de longo prazo. O país tem, com toda certeza, solução. Só esse governo é que não.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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