Passado imperfeito: um olhar crítico sobre a intelectualidade francesa no pós-Guerra

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Tony Judt

Foi um historiador e professor inglês nascido em 1948 e falecido em 2010. Sua vasta obra é da mais alta qualidade de pesquisa e de análise. Desde o seu clássico Pós-Guerra, onde analisa a história da Europa após a Segunda Guerra Mundial, passando pelo Reflexões sobre um século esquecido, 1901-2000; Chalé da Memória; o seminal O mal ronda a Terra e este, que comento aqui hoje, Passado imperfeito.

Escolho esse livro por inúmeras razões, pelas fontes de pesquisa, pelos intelectuais e o ambiente que o autor analisa, mas, principalmente, pois serviria muito que a nossa intelectualidade de esquerda lesse como a sua co-irmã francesa do pós-guerra cometeu inúmeros estelionatos intelectuais em nome da causa, da defesa do comunismo e da “gloriosa” União Soviética e do “czar vermelho” Stalin.

Tony Judt explica – com as devidas fontes – como em nome da teleologia comunista, da ideia de se fazer “o bem e o justo”, os comunistas da União Soviética e dos países satélites do Leste europeu cometeram inúmeros crimes e tiveram o apoio ou a complacência de intelectuais como Jean-Paul Sartre, Maurice Merleau-Ponty, Simone de Beauvoir e Emmanuel Mounier, entre tantos outros.

Judt apresenta, ainda e em comparação, como esses intelectuais davam tratamentos com dois pesos e duas medidas a crimes cometidos pelo Ocidente, necessariamente visto como o mal, e o Oriente, tratado sempre como um projeto de libertação e para o bem. Os crimes do comunismo eram justificados em nome do propósito final daquele projeto.

O livro é fantástico e merece ser lido com atenção. Ainda sou daqueles que acredita que a história, em que pese não ser um guia político-comportamental, serve para balisarmos nossas ações em virtude de valores que aprendemos a nutrir.

Nossa intelectualidade esquerdista, que adora hoje justificar os crimes do poder em nome do “bem” que se está produzindo deveria ler, com toda a atenção o livro de Tony Hudt. Evitaria ser desacreditada como foi grande parte dessa intelectualidade francesa do pós-Guerra.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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