Os sociopatas em uma dúzia de parágrafos

por Sergio Vellozo Lucas

Como são os sociopatas

1 – Nunca falam a verdade, inventam sempre uma versão verossímil que seja mais favorável aos seus interesses. Podem mudar de versão tantas vezes quantas forem descobertos, como uma cebola com infinitas camadas.

2 – Interpretam com intensidade o papel que inventam para si mesmos. Não sentem empatia, mas simulam emoções de forma muito convincente. Como Suzane Von Richthofen fingindo, com dramaticidade, a dor da perda dos pais que ajudara a matar na véspera.

3 – São agressivos com quem discorda de suas ideias, sempre têm que ter razão. Temem secretamente que qualquer pequena evidência de que estão errados desenrole todo o novelo de mentiras que sustenta a história da sua vida.

4 – Se estão com poder não ouvem ninguém e são implacáveis. Se enfrentam um poder maior choram muito alto e solicitam insistentemente a mediação de pessoas externas à disputa que estão envolvidos. Chamam isso de justiça.

5 – Se ofendem quando são contrariados, qualquer um que não acredite neles é tratado como inimigo e nem sempre vai ter como saber disso antes de ser tarde demais.

6 – Alguns tem o poder de trocar instantaneamente a versão que defendem, diante de uma evidência irrefutável, podem fazer isso na TV inúmeras vezes, ignorando tudo o que disseram anteriormente. Depois vão mudando novamente a história cada vez que a mencionam, até que o resquício de verdade factual desapareça completamente do seu discurso. Mudam as circunstâncias e mudam as alegações, mas seguem sempre fazendo o mesmo papel de vítima. Lula não inventou esse estilo, mas suas diferentes versões do mensalão são uma viva demonstração desse exemplar de sociopata da vida pública.

7 – Não sentem culpa, portanto a única sensação humana que inibe suas ações perversas é o medo. Ha também aqueles que sentem pouco ou não sentem medo algum e são perigosíssimos. Felizmente esses são mais raros e costumam morrer cedo. Por vezes até se tornam “heróis“ em tempos de guerras ou crises, em tempos normais são somente bandidos perigosos.

8 – Eles se apegam a cargos, dinheiro, lugares e a tudo que signifique poder, mas não se apegam aos seres vivos, humanos especialmente. Podem aparentar apego quando alguém proporciona um ou mais desses itens citados acima. E, claro, não nutrem gratidão, na verdade desenvolvem um misto de ressentimento e desdém pelas pessoas generosas que os ajudam inadvertidamente.

9 – Quando conquistam o poder mostram um pouco a sua verdadeira natureza de forma privada, mas seguem projetando uma imagem totalmente fantasiosa na vida pública. O exercício do poder por tempo prolongado os tornam paranoicos, passam a enxergar inimigos em busca de vingança em todos os lugares. Stalin, Mao, Hitler, costumavam exterminar até seus aliados mais próximos sem qualquer motivo plausível, eram movidos apenas pelo medo de que fizessem com eles aquilo que faziam aos outros.

10 – É mito dizer que são todos muito acima da média no que diz respeito à inteligência, existem assassinos frios como aço e com o Q.I. de um aprendiz de ameba. Entretanto quanto mais inteligentes, menos necessitam usar a violência física e mais simpáticos podem ser, na verdade alguns são encantadores e a maioria é muito mais agradável numa convivência superficial do que a maior parte das pessoas. Esses são os mais difíceis de pegar, possuem inúmeros admiradores e causam os maiores estragos.

11 – Nem todo político é um sociopata, mas o sociopata adora a política. Não os confundam com fanáticos, esses só são perigosos para todos quando sua facção está no poder. Os sociopatas são sempre perigosos, como o José Sarney, estão sempre no poder, independentemente da orientação ideológica do governo.

12 – Os sociopatas existem em todos os níveis e por toda a parte, causam danos enormes à sociedade, no varejo como indivíduos, ou por atacado como atores da vida pública. A dificuldade em identifica-los, a crença de que podem se transformar em pessoas decentes e a leniência politicamente correta com os seus crimes os tornam uma verdadeira epidemia no mundo contemporâneo.

Sergio Vellozo Lucas | Blog do Luiz Paulo

Sérgio Vellozo Lucas

Sou médico formado pela UFF em 1986 e sou psiquiatra concursado do antigo Hospital Adauto Botelho e atual HEAC desde 1993.

Além disso sou atleta meia boca, filósofo de botequim, aspirante a escritor de bulas de remédios, pai do Joel e marido da Angelita.

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