Os fundamentos morais da política

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Ian Shapiro

Sul africano e professor de Ciência Política da Universidade de Yale, onde dirige o Center for Internacional and Area Studies. Shapiro não é um cientista político tradicional. Isso é dito aqui no sentido de que é um grande crítico das abordagens feitas pela sua área de estudo. Critica, especialmente, o foco dos estudos das áreas de ciências humans e sociais baseadas excessivamente nos métodos e abstrações exageradas que afastam o cidadão da realidade.

Shapiro tem também uma visão bastante peculiar da democracia. Para ele a democracia é um sistema muito mais voltado para a limitação da dominação, talvez numa aproximação com o pensamento de Montesquieu no seu clássico Espírito das Leis, do que direcionado a participação e representação direta.

Nesse seu livro bastante questionador, Ian Shapiro, a partir de uma pergunta chave dos sistemas políticos ao longo da história, “Quando os governos merecem nossa obediência, e quando devemos negá-la?”, ele aborda a resposta com base nas principais tradições políticas da modernidade. Desde o iluminismo, passando pelo utilitarismo, os contratualistas, o marxismo até o regime democrático.

Shapiro é um defensor da democracia. Como ele coloca em seu livro (p. 247), é ela que permite que “[…] ao longo do tempo, a verdade prevaleça no cenário político, os direitos humanos sejam respeitados e se preservem os elementos das tradições e das culturas que mereçam ser preservados”.

É a democracia que, segundo ele, permite (p. 299) “demonstrar como se está ocultando a verdade a respeito deles [os acordos que organizam a vida social] e tentar modificar esses acordos. Em um mundo no qual quem luta pelo poder tem de apelar ao interesse humano em conhecer a verdade e agir de acordo com ela, sempre haverá quem tente distorcer a verdade para alcançar seus obhetivos, e assim tirar proveito dos outros. Diante dessa situação, a disputa democrática do poder, […], é a melhor resposta de que dispomos. É melhor considerá-la, de todo modo, como um remédio essencial para uma doença crônica do que como uma cura que torne o tratamento desnecssário”.

No Brasil de Lula e Dilma nada mais importante do que lutar pela verdade, tão escondida sobre o manto da corrupção, da mentira, da opacidade. Isso já faz a leitura do livro de Ian Shapiro uma ação essencial para aqueles que querem compreender a política de modo geral e a nossa situação de modo particular. Eu recomendo. Boa leitura.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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