Os donos da pobreza, a visão mágica da doença e a saúde pública

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Política de saúde

Existe uma visão mitológica, mágica, sobre a doença. A de que para toda a doença tem um remédio e um médico que vai eliminar a dor. É um mercado infinito, dado que todo mundo envelhece, as mulheres procriam, as pessoas sofrem acidentes e contusões, que envolvem o funcionamento do corpo e da mente humana.

A saúde é um campo onde a demanda é infinita, no qual não há uma definição clara sobre o papel da política de saúde, especialmente no que diz respeito a questão do enfrentamento da pobreza e das desigualdades.

Os maiores problemas dos “donos da pobreza”, dos que se elegem, dos que se enriquecem às custas da pobreza, a porta de entrada para isso, supostamente, é a atenção à saúde. Quem não ouviu falar de políticos que – mesmo sendo um crime eleitoral – distribuem dentadura, óculos de grau, compra ambulância, realiza pequenos procedimentos cirúrgicos, muitas vezes utilizando-se do sistema público?

A hora em que a pessoa está mais frágil é quando está doente, com dor, sofrendo. O caso da mulher é ainda mais dramático. A sexualidade e a reprodução são dramas na vida da mulher, mesmo quando ela é instruída.

Está provado, por exemplo, que a escolaridade da mãe é o principal fator determinante para a redução da mortalidade infantil.

Mais de 90% das demandas de saúde, segundo a Organização Pan-americana de Saúde, são previsíveis, no sentido de estarem dentro do ciclo de vida das pessoas.

Pra enfrentar essa questão, além da ampliação da instrução, e da discussão ampla da saúde nas redes públicas de ensino infantil, fundamental e médio, é preciso uma abordagem preventiva da saúde. É ela que irá enfrentar essa visão mágica que as pessoas, muitas vezes têm, das possibilidades da medicina.

Precisamos apostar e avançar nessa estratégia, especialmente no âmbito municipal. Aqui, por óbvio, a formulação das abordagens e a sua execução é tarefa dos municípios.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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