Os desafios da COP 21

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

A conferência

Realiza-se em Paris, desde ontem até 11 de dezembro, a Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a denominada COP 21 (Conference of Parties 21).

Essa é uma conferência de significado estratégico para o nosso futuro. Já coloquei aqui neste Blog minha visão de que esse é um dos assuntos centrais para o desenvolvimento mundial e brasileiro para o século XXI.

O objetivo central do encontro é chegar a um acordo entre todos os países sobre a limitação da emissão dos gases que provocam o efeito estufa para limitar – até 2100 – o aumento da temperatura global, em relação ao período pré-industrial, em no máximo 2ºC. Essa temperatura, vale destacar, já é nos dias de hoje maior que o daquele período em 0,9ºC.

Foi a chamada Rio 92 a primeira vez que todos os países do mundo se juntaram para debater a questão das mudanças climáticas e, especialmente, o aquecimento global.

Desde lá muitas coisas aconteceram. Boas e ruins. Por um lado temos um conhecimento científico muito mais refinado e que já comprovou o papel do homem – na verdade das atividades econômicas produzidas pelos seres humanos – no aquecimento global e também avançamos muito na produção e difusão de tecnologias limpas. Por outro a situação climática se agravou bastante. O Protocolo de Kyoto, em que pese suas inovações e aspectos importantes, não foi capaz de barrar esse processo.

Em 2009 a COP 15, que se realizou em Copenhagen gerou grandes expectativas e, ao final, pela incapacidade de se chegar a um acordo, frustrações ainda maiores. Desde então, nas conferências seguintes, progressivamente, os países tem feito de forma mais articulada e pensada alguns avanços na possibilidade de compromissos. Chegou a hora do passo final.

Ao meu ver existem três aspectos centrais a serem decididos nessa Conferência:

1 – Primeiro, e mais importante, o acordo resultante deve ser vinculante. Ou seja, de execução obrigatória pelas partes, pelos países.

2 – É fundamental que exista um envolvimento dos governos estaduais, municipais, empresas, associações e cidadãos para o atingimento das metas.

3 – Tem que haver um compromisso de apoio dos países desenvolvidos para a transferência de tecnologia e aporte de recursos para que os países em desenvolvimento consigam cumprir suas metas-compromisso.

Nos posts dessa semana irei desenvolver um pouco mais esses temas e, especialmente, destacar o papel dos municípios e das suas comunidades.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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