Orçamento fantasioso para 2016

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

O fundo do poço

De enrolação em enrolação o governo Dilma vai levando o país para o buraco. Ontem, infelizmente, o Congresso Nacional aprovou o Orçamento de 2016, mais uma peça de ficção desse governo, das tantas que têm feito com o país ao longo de sua existência.

O orçamento fala em superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), algo próximo de 25 bilhões de reais. Fantasia, para não dizer mentira. Como foi fantasia, até o final, o orçamento de 2015.

Fantasia por que considera, entre outras coisas, por exemplo, no conjunto das receitas a CPMF. Como assim?

Na verdade, o que o país está vendo de nada fantasioso é o desemprego crescente (1,5 milhão de desempregados em 12 meses até novembro), inflação alta e ascendente (fechando o ano com quase 11% na prévia de dezembro) e economia em queda livre e sem perspectivas para 2016 e 2017.

Esse orçamento fantasioso, que projeta superávit, mas fechará o ano de 2016 com déficit, com certeza não contribuirá para tirar o país da crise. Vamos lembrar que – no cenário internacional – o preço das commodities – nossas principais exportações – ainda estão em queda e os EUA começaram a aumentar os juros básicos de sua economia, duas coisas que nos complicam um pouco mais a vida.

Assim, enquanto a senhora Dilma Rousseff consegue alguma sobrevida para o seu mandato com decisões do STF e “arranjos” com setores do Congresso Nacional, o país se afunda na falta de rumo e de perspectivas.

Poderíamos dizer que está ocorrendo uma “Sarneyzação” do governo Dilma, em todos os sentidos, políticos, econômicos e éticos.

A saída para nossas dificuldades, fica claro, não virá – por algum tempo ao menos – de Brasília. De lá podemos esperar somente por más notícias. Isso realça o papel dos municípios na superação da crise. Já falamos disso e voltaremos ao tema.

PS – Vejo o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, dizer hoje – ao falar sobre a saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda – que “quem banca a política econômica é a presidente”.

Bom saber, assim poderão os brasileiros cobrar dela os resultados negativos que certamente continuarão vindo.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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