“O vice do Casagrande deveria ser alguém do setor produtivo”

Com uma extensa folha de serviços prestados na administração pública,
seja exercendo mandatos ou como servidor, Luiz Paulo Vellozo Lucas
(PPS) é desses cidadãos dos quais você pode até discordar, mas nunca vai
deixar de gostar. Sua sinceridade e sua maneira peculiar o colocam em um
patamar diferenciado na gama de homens públicos do Espírito Santo.
Sem se apegar ao poder pelo simples poder, Luiz Paulo é de travar bons
combates em defesa dos ideais que defende, mas sem perder jamais a
ternura. Homem de grupo e democrata convicto, ele traz nesse bate papo
suas ideias sobre o cenário político atual, bem como os motivos que o
levam a disputar a Câmara Federal mais uma vez.
Em relação à região Sul, especificamente sobre Cachoeiro, o pré-candidato
defende que o aeroporto local seja a porta de entrada para a região de Pedra
Azul e o para o Caparaó. “É preciso estruturar um destino turístico, com
voos diretos do Rio de Janeiro e de São Paulo para Cachoeiro”. Cotado
(nos bastidores) para ser vice-governador na chapa de Renato Casagrande
(PSB), ele também explica porque não aceitaria o convite.
AQUINOTICIAS – Você vai fazer 62 anos, aposentou-se do BNDES depois
de 37 anos de trabalho e ocupando várias funções de destaque na
administração pública. Foi prefeito da capital duas vezes e deputado
federal. Por que ainda quer continuar na política e ser candidato a
deputado federal este ano. Você não acha que o povo esta querendo
renovação?
Luiz Paulo – Sou uma pessoa realizada graças a Deus. Dediquei minha
vida toda ao tema do desenvolvimento. Estudando e trabalhando no
BNDES e nos governos por onde passei. Sempre foi minha paixão. Não
quis me dedicar à carreira acadêmica. Minha motivação sempre foi ajudar a
fazer as coisas acontecerem. Já tinha uma trajetória exitosa como executivo
do setor público e professor universitário por 12 anos quando resolvi entrar
na política disputando eleição pela primeira vez. Foi com FHC e o Plano
Real, em 1994. Fiquei como primeiro suplente de deputado federal e fui
para a equipe econômica liderada por Pedro Malan como Secretario
Nacional de Desenvolvimento Econômico. Coordenei a área de preços na
transição para a estabilização macroeconômica no primeiro governo FHC.
Venci as eleições para prefeito de Vitoria em 1996 e liderei um governo de
oito anos, transformador, cujos resultados influenciaram positivamente a
política de todo o estado e me valeu o reconhecimento da população.
Não poderia deixar de participar deste momento político como candidato.
Seria covardia. O povo quer ver renovação de atitudes, não quer uma luta
pelo poder sem princípios, distante dos interesses da população. Despreza o
jogo sujo, a mentira e a enganação. Sou conhecido por ser uma pessoa
autêntica. Que tem palavra e sempre se posiciona. Nunca tive medo de
remar contra a maré, de ficar contra o poder. Não faço nem compactuo com
nenhum tipo de demagogia nem com o aparelhamento da máquina pública
para fins político eleitorais. Sou firme em minhas convicções, alguns até
me acham teimoso. Por outro lado sou uma pessoa cordial que não leva a
disputa política para o lado pessoal. Deus me fez uma pessoa alegre e de
bem com a vida. Por tudo isso vou continuar na política e disputar um
mandato de deputado federal. Para ajudar a reconstruir a credibilidade da
política e reconquistar a esperança perdida de prosperidade e de um futuro
melhor.
Você foi parceiro político e amigo de Paulo Hartung por quase quarenta
anos. Foi Presidente do Bandes nos primeiros dois anos do seu atual
governo e agora com sua saída do PSDB, está fora do grupo hartunguista.
Está no PPS, partido aliado do maior adversário dele, o ex-governador
Renato Casagrande. Como você se sente?
LP – No ano passado disputamos a convenção do PSDB contra César
Colnago. Dizíamos que ele representava um alinhamento automático do
partido com o governo PH e seu projeto de permanência no poder. Eles
jogaram pesado com toda a força da máquina e ganharam por 6 votos.
Agora, a desistência de PH deixou todos os aliados do governo
desnorteados. Foram traídos em sua confiança. Não existe nenhuma
hipótese do grupo governista manter-se unido sem a candidatura de PH. Eu
me sinto muito bem estando fora deste boco. Não me motiva a participação
no poder pelo poder. Por isso fui oposição ao governo do PT durante todo o
tempo, inclusive disputando o governo em 2010, seu melhor momento
eleitoral, contra toda a aliança do Lulopetismo no ES. Não briguei com
ninguém nem considero Paulo Hartung e César Colnago meus inimigos.
Estamos em projetos políticos e em palanque diferentes neste momento. O
governo tem pontos fortes e fracos. Acho que sou mais útil ajudando
Renato Casagrande a montar um projeto melhor, até porque não vejo
espaço para mim num governo que considera o deputado Amaro Neto
(PRB) uma proposta séria de renovação política.
O Sul do estado está abandonado. Cachoeiro de Itapemirim é a segunda
cidade com menor arrecadação só perdendo para Cariacica. Em época de
eleição aparecem muitas promessas, mas até agora ninguém cumpriu. O
que você propõe e principalmente o que você se propõe a fazer pelo Sul do
Espírito Santo?
LP – A prefeitura de Cachoeiro é pobre de arrecadação, mas a cidade
possui ativos ambientais, históricos e culturais extraordinários. Presidente
Kennedy é a prefeitura mais rica em arrecadação do Brasil, mas a cidade é
pobre. O Porto Central vai mudar essa realidade em breve. Acho que temos
de pensar no Sul do estado em termos de economia verde e economia
criativa. O aeroporto de Cachoeiro tem que ser a porta de entrada para a
região de Pedra Azul e o para o Caparaó. Estruturar um destino turístico,
com voos diretos do Rio de Janeiro e de São Paulo para Cachoeiro, se
conectando com a região de Pedra Azul e com o Caparaó. O agronegócio
regional, as opções de turismo ecológico, esportivo e rural, além das
atrações que podem ser alavancadas pelo patrimônio histórico e cultural de
Cachoeiro. Porque Paraty tem uma feira literária superimportante sem
nunca ter tido um escritor como Rubem Braga? Como Piraí se transformou
num polo de cinema sem ter sido o berço de nenhum grande artista como
Roberto Carlos? Tenho certeza que o projeto do Porto Central e da ferrovia
vão sair, até independentemente da ação de governos por uma razão muito
simples: estes projetos têm racionalidade econômica, são lucrativos e vão
acontecer, mais cedo ou mais tarde.
Temos que nos preocupar com um desenvolvimento regional sustentável
fruto da mobilização das forcas locais em torno do aproveitamento de seus
grandes ativos ambientais, históricos e culturais. Para isso o projeto de
revitalização do aeroporto é fundamental. Se for eleito deputado federal
vou trabalhar com os prefeitos das cidades da região, independente de
partidos e grupos políticos, e com o empresariado local para ajudar a
colocar na pratica estas ideias.
Tenho informações que uma ala do PSB desejaria muito ter você como
vice-governador na chapa de Casagrande. Se for convidado você aceita?
LP – Fico muito honrado pela lembrança, mas acho que posso ser mais útil
como candidato a deputado federal. Penso que o companheiro de chapa do
Renato Casagrande deveria ser alguém do setor produtivo, da sociedade,
não necessariamente um líder de partido, com cacife eleitoral. Alguém que
pudesse simbolizar nossas preocupações de desenvolvimento e sustentabilidade, de gestão eficiente, de governança transparente e
fundamentada pelo diálogo.
E as eleições presidenciais? Como você se posiciona? Quem vai para o
segundo turno? Qual seu palpite para o resultado final?
LP – O PPS tem um indicativo deliberado em seu Congresso em março
deste ano de apoiar Geraldo Alkmim (PSDB). Temos também trabalhado
pela unificação das forcas do centro democrático distantes da radicalização
populista. Acho que os projetos populistas que hoje lideram as pesquisas
não terão fôlego para chegar lá. Não vou fazer prognóstico nem dar palpite.
Vou trabalhar pela candidatura que melhor representar meus ideais de
democracia e reformas. Quem encarnar a reconquista da confiança e da
esperança de prosperidade.
Créditos: Site “AQUINOTÍCIAS”, entrevista por Ilauro Oliveira.
www.aquinoticias.com

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