O que se esconde atrás das placas de ‘Aluga-se’?

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

A multiplicação dos “aluga-se”

Um dos sinais mais evidentes do tamanho da crise que abate a economia e a sociedade brasileira é a quantidade de placas de “aluga-se” que vemos pelas cidades brasileiras. Um andar rápido pelos bairros, seja os que têm mais vocação residencial, seja os de vocação comercial, para vermos dezenas, centenas de placas espalhadas.

Junto com o desemprego, essa é, ao meu juízo, a face humana mais emblemática da crise. Por trás de cada placa dessa, de cada notícia de desemprego, estão famílias que muitas vezes investiram seu patrimônio duramente conquistado para ampliar sua renda, dessa forma contribuindo para o crescimento econômico das cidades, dos estados, do país, e agora se veem com um grande “mico” nas mãos. Não têm para quem alugar. Ficam com os custos fixos, de condomínio, de luz, água etc, e com crescente prejuízo do capital imobilizado.

Em que pese a senhora Dilma Rousseff ficar com seus discursos aloprados sobre mandiocas e mulheres sapiens, achando que está fazendo graça, a situação está ruim, muito ruim. Inflação alta – e ainda em alta – com economia em recessão é uma combinação perversa. Produz-se resultados humanos, sociais e econômicos negativos em escala ampliada, é isso que estamos vendo com essas placas de aluga-se presentes por aí.

Para além de tergiversar e culpar a crise econômica internacional e a seca, a senhora Dilma Rousseff deveria ter a coragem – como dizia a sua campanha que tinha – para pedir desculpas aos brasileiros por todos os problemas que a sua equipe de embromation economics, sob o comando dela, produziu. Mas esperar isso é em vão. Ela, até hoje, insiste no diagnóstico errado da crise. Assim sonha em fugir das suas responsabilidades, mas, os cidadãos brasileiros, já têm claro que são os responsáveis: ela, o seu mentor Lula e os seus governos.

As placas de “aluga-se” continuarão presentes e ampliando seu número em nossas cidades antes da maré de crise virar. Hora de, como sempre, os brasileiros mostrarem a sua força e começarem a se preparar para os momentos melhores com estudo, iniciativa e inovação.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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