O que a tragédia de Paris nos ensina sobre a democracia?

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Desafios

A democracia tem seus desafios. São muitos e sempre presentes. Como ela não consegue – e nem pode – prometer a perfeição e o paraíso na Terra, mas sustenta-se na ideia de que levará a todos uma vida melhor, é sempre desafiada pelas condições presentes, pelas expectativas que se tem para ela e por ideias/projetos que prometem a felicidade e a abundância totais.

A democracia, assim, para além de seus críticos e das críticas que recebe, necessárias, destaque-se, tem seus inimigos. São grupos que, com ideias diversas, propõem a sua destruição, a sua substituição por “algo perfeito”. Assim era proposto por comunistas, por nazistas e por defensores de regimes teocráticos diversos, entre tantos outros.

A democracia, no seu permanente teste de validação junto aos cidadãos, é um regime de acolhimento das diferenças, de possibilidade do contraditório, das liberdades civis e políticas fundamentais. É o regime da liberdade e das possibilidades. Finitas, ambas, mas garantidas.

Tudo isso, no entanto, tem que ser feito dentro de regras pactuadas, dentro das possibilidades para que os interesses públicos se expressem, para que situações se conservem e mudanças sejam realizadas. Sem violência, sem uso da força, sem morte e destruição. Mudança e conservação, a regra do jogo.

Aos inimigos da democracia, que insistem em tentar subvertê-la por meio da força e da violência, por meio do terror e do medo, por meio da morte e da destruição, ela – a democracia – não pode tergiversar, tem que ser dura e capaz de impedir que esses grupos realizem seus intentos.

Esses terroristas, todos que apelem ao terror, tem que ser confrontados, julgados, punidos. Respeitadas as normas de convivência política e social estabelecidas, a democracia não pode se omitir na sua defesa. Foi a omissão em defesa da democracia, por exemplo, entre outros fatores, que permitiu a ascensão do nazismo.

Assim, me parece, temos que apoiar decisivamente o governo francês na sua luta contra os terroristas, contra aqueles que querem impor o medo e a barbárie à França. Só assim, todos os franceses de bem, inclusive aqueles milhões de ascendência árabe e de fé muçulmana, poderão viver dignamente e com perspectivas de um futuro melhor.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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