O pior dos dois mundos

por Sergio Vellozo Lucas

Dois mundos

A lama da Samarco-Vale turva o rio Doce, mas ilumina as relações entre o governo e as grandes empresas.

Muito tem circulado nas redes sobre o dano causado ao meio-ambiente. O dano é cristalino, indiscutível, insofismável.

As pessoas com uma mínima consciência ecológica são unânimes em considerar a necessidade de um maior controle sobre essas grandes corporações que usam recursos naturais em grande escala.

Esquerda, direita, centro e dupla de zaga concordam que a empresa foi criminosamente irresponsável e que estava em conluio com os responsáveis pela autorização, fiscalização ou qualquer outra etapa da burocracia exigida pelo governo para o funcionamento de uma indústria desse porte.

Porquê o governo não interrompeu as operações que levaram ao rompimento da barragem da Vale-Samarco? Essa é a primeira questão a ser esclarecida.

Sabe-se que existe um laudo técnico de 2013 que antecipava, com riqueza de detalhes, o desastre, que de fato terminou por ocorrer em Mariana.

Pergunta-se:

Para quem esse laudo foi dirigido? Alguém refutou tecnicamente o laudo? Se não, quem autorizou a continuidade do acúmulo de rejeitos numa barragem tecnicamente condenada?

Em última instância, quem deu a licença para a mineradora operar após a ciência do risco? A pessoa que avaliou o laudo é a mesma que autorizou a continuidade da operação? Se a resposta for sim, porque ele ainda não está na cadeia? Se for não, qual a relação entre eles?

Quando a ganância própria do universo capitalista encontra a corrupção das mega-estruturas burocráticas do universo socialista estatizante, nós temos o pior dos dois mundos.

Gasta-se o dinheiro que deveria aumentar a eficiência e reduzir o risco da mineração, com a compra da cumplicidade dos órgãos estatais que deveriam fiscalizar a operação.

Num capitalismo competitivo isso não aconteceria tão facilmente, claro que não é porque o empresário é mais bonzinho, é porque além dos órgãos de fiscalização, existem competidores que têm interesse em vigiar e denunciar os abusos do concorrente.

No capitalismo de estado o empresário é sócio do governo e sabe que não tem rivais. Não ha razões econômicas para poupar a natureza, nem sempre as razões éticas vão importar. No caso do Samarco-Vale vimos que não importaram.

A mais importante etapa da corrupção das empreiteiras da Lava-Jato, que financiaram os petistas às custas da Petrobras, foi acabar com a concorrência formando um cartel de empresas. Ninguém vigiava e ninguém denunciava ninguém, todo mundo tinha sua obra reservada sem precisar ter mais eficiência, nem o preço mais competitivo.

Esse trágico episódio da Samarco-Vale, oferece uma oportunidade para as pessoas,que têm preocupações genuínas com o meio-ambiente e ainda defendem o modelo petista, de reverem suas posições.

Pode ser que a culpa da tragédia não seja do governo Dilma, mas está claro que esse capitalismo de compadres do lulopetismo foi que permitiu que a tragédia chegasse à dimensão que atingiu.

O governo Dilma só é responsável pela mais lenta e ineficaz resposta a uma tragédia ambiental desse porte, jamais vista em parte alguma do mundo.

O lulopetismo conseguiu unir o pior do universo comunista, com o pior do mundo capitalista. Essa é a definição do bolivarianismo.

Sergio Vellozo Lucas | Blog do Luiz Paulo

Sérgio Vellozo Lucas

Sou médico formado pela UFF em 1986 e sou psiquiatra concursado do antigo Hospital Adauto Botelho e atual HEAC desde 1993.

Além disso sou atleta meia boca, filósofo de botequim, aspirante a escritor de bulas de remédios, pai do Joel e marido da Angelita.

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