O passado de uma ilusão: ensaios sobre a ideia comunista no século XX

Resenha por Luiz Paulo Vellozo Lucas

François Furet

François Furet foi um grande historiador francês. Viveu de 1927 a 1997. Foi filiado ao Partido Comunista Francês (PCF), mas logo, diante da intervenção soviética na Hungria afastou-se do partido, do comunismo e, na sequência, do próprio marxismo.

Foi membro da chamada Nova História francesa, advogando a necessidade dos historiadores conhecerem os grandes textos da filosofia e de tratar dos grandes temas históricos. Diante disso, defendia os estudos seriados e quantitativos, a base para a compreensão profunda dos processos históricos.

Seu grande tema de análise histórica era a Revolução Francesa. Para ele um mito, fruto de um acidente histórico, não de supostas condições objetivas e outros elementos que colocavam a Revolução como burguesa.

Historiador político por interesse, se debateu com várias tradições historiográficas nesse tema, desde as liberais até as marxistas.

Nessa obra, lançada em 1995, que aqui resenho hoje, Furet nos conta, em doze capítulos, a história do comunismo no século XX.

Fala da paixão revolucionária e seu surgimento no século XIX, do papel da Primeira e Segunda guerras mundiais para a história do século XX e do comunismo, do combate entre fascismo-nazismo e comunismo, no encanto exercido pela Revolução de Outubro, faz crítica feroz ao stalinismo, e o descreve – o personagem e o seu regime – como a essência do comunismo, apresenta, enfim um padrão do socialismo “desenvolvido” e a época da Guerra Fria e termina fazendo uma análise do seu fim a partir da denúncia de Stalin e da transição de poder para Nikita Kruschev.

Tal como se estivesse fazendo uma predição aos candidatos a ditador – ou líderes populistas – desse início do século XXI afirma que (1995, p. 561) “[…] Não existem, na história, regimes muito identificados com a existência de um homem que tenham sobrevivido intacto à morte do único detentor da autoridade”.

Para todos aqueles que tenham uma queda por esse regime totalitário – sempre recorrente diante das deficiências do capitalismo e da democracia – vale muito e leitura dessa obra. Mais do que simplesmente concordar com o autor, cada um que lê o livro tem a possibilidade de perceber toda a amplitude do descalabro que foi esse regime, de sua violência, incompetência, mistificação e mentiras.

Eu recomendo a leitura.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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