O engajamento político

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

O que mudou?

“Os problemas do Brasil se dividem em dois: os que não tem solução e os que se resolvem sozinhos”. Frase dita pelo zeloso dono do bigode maranhense que lutou a vida inteira pra que tudo ficasse do jeito que está.

Se os índices econômicos do Brasil se mantivessem em ascensão, a Petrobras crescendo, os benefícios sociais mantidos, haveria esse clamor popular em favor da Operação Lava Jato? Ou o pega pra capar tem mais a ver com a recessão, inflação e desemprego do que propriamente o projeto petista de usurpação do estado? Quem xinga Guido Mantega no restaurante em 2015 faria o mesmo em 2010?

Engajamento político
O economista Albert Hirschman escreveu em 1982, o livro Shifting involvements: private interest and public action. Obra seminal que levanta a tese que a sociedade oscila entre o engajamento público ou privado conforme seu interesse. Quando um não vai bem, as atenções são voltadas para o outro.

Hoje podemos dizer que as atenções estão voltadas para o interesse coletivo, pois a recessão chegou e chegou de com força! Há um grau de engajamento em todas as camadas da sociedade civil, coisa que há muito tempo não se via.

Mas as sementes da crise atual foram plantadas lá atrás, nos idos de 2006, enquanto o país vivia uma bonança econômica e as pessoas estavam focadas em prosperar, aproveitando a economia crescente. Não há nada de errado nisso, mas como nos alertou Hirschman, quando se volta demasiadamente para um lado se negligencia o outro.

Guido Mantega passou quase dez anos a frente da economia brasileira e apenas agora ele não pode ir a restaurante fino. Durante a bonança ele podia jantar no Fasano e se tratar no Einstein; mas pra ele agora só SUS e Restaurante Popular.

Precisamos estar alertas em todos os momentos para evitarmos a onipotência dos que estão no poder.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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