O caderno do Natanael

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

O populismo, nesse caso, eleitoral

A história é mais ou menos assim:

Um candidato a prefeito tinha um assessor que se chamava Natanael. Na campanha, Natanael comprou um caderno novo onde anotava todos os pedidos que a população fazia ao candidato.

O candidato chegava na casa de D. Maria e logo perguntava: Como vai, D. Maria? Do que a senhora está precisando.

D. Maria informava que precisa de um botijão de gás novo. Os preços estavam pela “hora da morte” e estava cozinhando com lenha, pois faltará dinheiro para o gás.

O candidato logo falava com Natanael: Anota aí, Natanael, um botijão para D. Maria.

Outra casa, outro pedido, outra anotação.

Assim iam candidato e Natanael. Até que um dia Natanael avisou:

Doutor, o caderno acabou!

E o candidato, sem pensar duas vezes, disparou:

Ô homem sem iniciativa, joga fora esse e compra outro!

Claro que hoje um comportamento como esse será considerado tentativa de compra de voto e, felizmente, devidamente punido pela Justiça eleitoral com a cassação da candidatura ou do mandato.

Candidatos populistas são assim. Prometem por prometer. Se hoje não podem prometer botijões, prometem que a cidade será outra durante o seu governo, que todos os problemas terão solução, que a vida será só felicidade.

Não têm eles nenhuma preocupação com os recursos materiais, técnicos e humanos necessários para realizar suas promessas.

Podemos definir o populismo como a prática de governo que desconhece as restrições e os trade-offs (trocas) da realidade. Em economia, a principal restrição é a chamada restrição orçamentária. A realidade é cheia de trade-offs: ou isso ou aquilo.

O populismo é uma operação do poder de Estado que não leva em consideração as restrições da realidade. E acha que o interesse coletivo nada mais é que a justaposição dos vários interesses particulares, tal como eles se enxergam (voltaremos ao tema outro dia em novo post)

Dois e dois sempre vai dar quatro. Para os populistas pode dar cinco, seis, sete……

Como não planejam e prometem o que as pessoas querem ouvir, sem dar atenção aos interesses efetivamente coletivos e às limitações da realidade, só causam decepção.

Prometem mudança, mas entregam frustração.

Precisamos retomar o desenvolvimento de nossas cidades em bases sustentáveis.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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