Mad Men (resenha)

Quando olharem para a presente era de ouro da TV americana, é em Mad Men que vão achar seu maior exemplo.

Efeitos Colaterais

O culto ao cinema de autor, visto em Hollywood pela última vez há 40 anos, está em pleno vapor na TV do Tio Sam. Roteiristas e produtores viraram “autores” e têm total liberdade pra fazer o que bem entender. Essa liberdade possibilita obras primas como The Sopranos, Breaking Bad ou The Wire. Mas alguns dos seus efeitos colaterais são possíveis de ver em Mad Men.

O seriado que chegou ao fim no dia 17 de maio, foi transmitido pela HBO às 9 da noite e acompanhou o dia a dia de uma agência de publicidade entre os anos 60 e 70. Segundo Matthew Weiner, seu criador, Mad Men é sobre o processo de virar WASP (branco, anglo saxão e protestante). É sobre também como grandes fortunas vieram da miséria total e completa. Também discorre como algumas pessoas têm tudo e são infelizes mesmo assim. Essa abrangência temática é ambiciosa e a ambição é um terreno escorregadio.

Quando a série acerta é um golaço, mas quando erra…

Quantos episódios não terminaram com um close de Don Draper, o personagem principal, contemplando o vazio existencial e o absurdo de tudo? Ó vida, ó céus, ó azar. Muita pretensa densidade para um meio popular como a TV. Depois de tantos finais tão solenes, o que resta para dizer?

Que tudo está à venda.

Este artigo começou a ser escrito antes do derradeiro capítulo. O último episódio de uma série dá sentido a ela, e de acordo com o ido ao ar no dia 17 de maio, Mad Men teve todas as suas 7 temporadas de angústias transformadas em frivolidade. No último episódio, Don Draper vai parar em um retiro espiritual sofrendo um colapso nervoso. Mas tudo certo: depois de achar a paz dos budistas, ele faz um OM e usa toda essa experiência para…..vender Coca-Cola.

O cinismo dessa mensagem não condiz com o olhar profundo da série. Tudo está a venda e “conhece-te a ti mesmo” são clichês que lotam as prateleiras de auto ajuda e ficção barata. Nada contra clichês. Eles são repetidos à beça exatamente por serem verdade. Você pode dizê-los à vontade, só não leve 92 horas para fazê-lo. Escreva um Twitter.

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