Macroeconomia sem economês

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Macroeconomia para Executivos (resenha)

Escrevo esse texto após uma conversa com meu primo Luis Filipe Vellozo de Sá. Por sermos economistas, ele por formação e eu por especialização, sempre que nos encontramos, o assunto economia está sempre à mesa ou pelo menos no ar.

Descobrimos, recentemente, um novo e interessante livro, lançado pela Editora Campus, intitulado Macroeconomia para Executivos dos economistas Fabio Giambiagi e Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, nossos amigos comuns. Com o Fábio tive a honra e o prazer de trabalhar no BNDES e escrever um livro sobre o setor de petróleo e Luís Filipe, foi amigo da faculdade e do mestrado na FGV/RJ da Cristiane.

O livro é dividido em duas grandes partes. A Parte I oferece conceitos básicos tais como inflação, taxa de câmbio, taxa de juros, PIB, Balanço de Pagamentos, etc. O núcleo duro do livro é a Parte II, que expõe com clareza temas centrais da dinâmica macroeconômica tais como: demanda e oferta agregada; formas de crescimento; PIB potencial; produtividade; poupança; investimento; politicas monetária e fiscal.

Ainda não lemos o livro todo, mas em uma leitura diagonal já deu para perceber a qualidade da abordagem escolhida pelos autores: simples, didática e bem fundamentada com exemplos práticos. Uma leitura obrigatória não só para executivos, mas também para leigos e curiosos sobre o tema.

É indicado para todos não economistas que desejam compreender melhor o funcionamento e dinâmica da economia com mais substância teórica e empírica. Ajudará a refinar sua argumentação e compreensão sobre os fenômenos econômicos sem cair nas teorias de botequim ou achismos falso-intuitivos equivocados.

Vale alertar que é nesse vácuo cognitivo das pessoas que as pseudo-teorias econômicas fazem seu piquenique. Sem lastro algum com a racionalidade, com a realidade, com a boa teoria econômica e com as experiências que não deram certo.

Os “professores” dessas pseudo-teorias (os criadores da jabuticaba chamada Nova Matriz Econômica que o digam) talvez por má-fé ou por má formação acadêmica mesmo, vendem um mundo sem restrições e de ilusões onde o governo pode fazer o que quiser. Sem custo algum. No final, o resultado é sempre o mesmo, do Pólo Sul ao Pólo Norte: um encontro marcado com a desilusão. Qualquer semelhança com a realidade econômica atual que vivemos no Brasil, não é pura coincidência!

Absorver os ensinamentos desse livro, ajuda a iluminar a nossa racionalidade e nos ensina, sobretudo, que não existem caminhos fáceis. O ex-Ministro Pedro Malan, com quem tive o prazer de trabalhar, gostava de falar a seguinte frase para os interlocutores que achavam que tinha uma solução mágica para um determinado problema: “para cada problema complexo, há uma solução que é simples, elegante e errada”.

Ao final do livro os autores concluem com sabedoria: “mais informado, o leitor compreenderá `que não existe almoço grátis´, que todos – inclusive o governo- são limitados por uma certa restrição orçamentária e que fazer escolhas é algo às vezes extremamente difícil, mas que há que optar por um caminho”. Acrescentamos ao pensamento final dos autores que os policy makers responsáveis devem ter sempre em mente que não há atalhos, por que o caminho mais curto, como ensina a Lei de Murphy, está sempre em obras!

Boa leitura!

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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