House of Cards (resenha)

O algoritmo do Netflix somou Kevin Spacey+David Fincher e empenhou a despesa. Ao custo de US$ 200 milhões, protagonizada por um ganhador do Oscar e dirigida pelo diretor mais badalado de Hollywood, a série House of Cards já foi produzida com a certeza do sucesso. Nela somos guiados por um operador sem escrúpulos, que mente pra todos menos pra nós.

E finalmente temos confirmadas todas as nossas suspeitas adquiridas lendo jornal: que a política de hoje é uma savana e ser ingênuo é a pior de todas as virtudes. O sucesso se confirmou; House of Cards é a primeira série do Netflix a ganhar a um Globo de Ouro e ser indicada ao Emmy.

Mas voltando à Claire Underwood (a cold bitch).

Nos seminários de roteiro há um termo bastante usado chamado “suspensão da descrença”, essencial para qualquer ficção, seja escrita, encenada ou filmada. Resumindo, precisamos acreditar naquilo que está na nossa frente.

**Atenção SPOILERS**

Quando Frank Underwood assassinou Peter Russo no fim da primeira temporada, a suspensão da descrença ficou avariada. Quando ele empurrou Zoe no metrô, ela foi pra UTI. Quando o presidente Walker renuncia (mas porquê mesmo ele renuncia?), ela morreu e foi sepultada. No início da terceira temporada, Frank Underwood urina no túmulo da nossa boa vontade com ele. Ele já fez sucesso, não precisa mais da gente.

Como acreditar que um político dos Estados Unidos faria tudo isso?

Lá o sujeito sai da política por tirar foto sem camisa e mandar pra namorada. Até aqui no Brasil, está dando uma trabalheira danada provar que uma estatal serviu para financiar um projeto político. Então não dá pra acreditar em House of Cards. Há de se assisti-la como um filme do Rambo; nós sabemos que aquilo é impossível mas é tão legal que…deixa pra lá.

Mas ou menos como a CPI da Petrobras, vale só pelo espetáculo.

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