Grécia: não existe almoço grátis

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

O plebiscito

No dia de ontem, 5 de julho, os gregos votaram não no plebiscito proposto pelo governo daquele país em relação aos termos de ajuste apresentados pelos credores do país.

O que deve ficar claro é que não existe saída fácil para a Grécia. O país já sofreu muito nesses últimos anos, especialmente desde 2010, e ainda irá sofrer muito. Deve-se destacar de pronto que a situação grega não é fruto de uma maldade das instituições europeias e/ou financeiras, como muitos esquerdistas de plantão gostam de demonizar. A situação em que o país se meteu é resultado da própria incompetência de seguidos governos que, iludindo seus cidadãos, gostavam de criar facilidades, com as quais os recursos do país não tinham como arcar. Riqueza não nasce em árvore, tem que ser construída. Não se pode viver às custas da riqueza de outros países.

Enquanto foi possível se endividar para ir rolando a conta – mesmo que, como se sabe hoje, a custa da falsificação de documentos fiscais e financeiros do país – as coisas “funcionaram”, depois que a crise de 2008 colocou um freio no financiamento irresponsável e descontrolado da dívida grega, e de outros países, a situação ficou insustentável.

A Grécia hoje tem uma dívida superior a R$ 1.000.000.000.000,00 (um trilhão de reais). Uma dívida pública equivalente à cerca de 175% do PIB. E uma necessidade de financiamento da dívida até 2018 de aproximadamente R$ 175.000.000.000,00 (cento e setenta e cinco bilhões de reais). Como vai pagar isso em três anos e meio? Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma dívida insustentável.

Seja qual for a situação resultante do imbróglio grego: sair ou ficar na União Europeia, ficar com o euro ou retornar à dracma, o ajuste vai ser doloroso. Muito doloroso. Como é costumeiro citar “não existe almoço grátis”.

O que isso tem a ver com o Brasil?

Por óbvio, o Brasil não é a Grécia. Nossa situação econômica é de crise grave e sistêmica, mas não se compara em dramaticidade com o caso grego que é de risco imunente de colapso financeiro e de ruptura do padrão monetario. Contudo, a situação grega serve para confirmar os valores que balizaram os governos reformistas do PSDB, de estabilidade macroecoeconômica, da importância do controle das finanças públicas e do papel regulador do Estado para organizar o investimento privado e os mercados no processo de geração sustentável de riqueza. Não existe outra forma para a construção de melhores condições de vida para a população. Atalhos para a prosperidade costumam ser caminhos esburacados que viram becos sem saída.

O governo lulo-dilmista passará para a história como sendo um período em que os brasileiros viveram a ilusão de que existe almoço grátis e que a riqueza cai do céu.

Estamos também pagando essa conta.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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