Governo Dilma: parece que está, mas não está

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Agenda positiva

Fazia tempo que não falava do governo Dilma. O último post dedicado a tecer considerações sobre a situação que ela produziu e produz – cotidianamente – para o país foi “ao ar” no dia 6 de outubro. Tenho procurado apontar aqui no Blog para uma agenda positiva para o nosso desenvolvimento (e saída da crise, claro) e, dentro desse enfoque discutido muito o papel do municípios, pouco falando sobre esse governo que nada tem a ver com o desenvolvimento.

Hoje, depois desses pouco mais de 50 dias, resolvi falar um pouco do governo da senhora presidente. Apenas para destacar essa aparente dicotomia que envolve o governo: está e não está. A pergunta, então, é: o governo Dilma está por aí, ainda?

Pode parecer que não, porque não ouvimos sequer uma notícia das providências que a senhora presidente está tomando para debelar a crise socioeconômica pela qual passa o país. Pode parecer que sim, porque eventualmente a senhora presidente aparece para anunciar coisas que não pode cumprir, são os famosos factoides.

O governo Dilma é assim: está e não está. Parece, mas não aparece. Diz que faz, mas não faz. Como diz o ditado: “semeia vento, colhe tempestade”.

O que andamos vendo no mundo real, entre outras coisas muito desagradáveis, é o aumento da inflação, que, para esse ano já está certo, será de mais de 10%, e para o próximo as estimativas do Boletim Focus do Banco Central já apontam que irá ficar acima do teto da meta; é o aumento do desemprego, que já chegou a 8,9%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para o trimestre agosto-outubro desse ano, e continua subindo; é o aumento do deficit orçamentário desse ano, que já foi elevado para quase 120 bilhões de reais, e ainda não é uma meta fechada, talvez ela queira dobrar.

Mas, por onde anda Dilma? Ela está por aí, fazendo reuniões de sua coordenação política, articulando a operação de salvação do presidente da Câmara dos Deputados, discursando sobre a tragédia ambiental do Rio Doce. Segundo o Ministro Edinho Silva, conforme ouvi ontem na Rádio CBN, a presidente está cuidando pessoalmente da situação social e ambiental do país. Marketing demagógico puro. Quem ainda acredita nos discurso da “grande irmã”?

A presidente só cuida de tentar salvar seu mandato. Ao que parece, tem conseguido. Alguns meses atrás fez um acordo, sabe-se lá em que bases, com Renan Calheiros, presidente do Senado. Agora está costurando um acordo, sabe-se lá também em que bases, com Eduardo Cunha, presidente da Câmara. Assim, por exemplo, justifica-se a ausência dos deputados do PT na penúltima reunião do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados que começaria a analisar o processo do pedido de cassação do senhor Cunha. Em troca esse senhor vai arquivando todos os pedidos de impeachment da presidente.

Enquanto isso, o país afunda rumo ao desconhecido de dois anos de recessão, com inflação alta, desemprego em alta, e por aí vai. A custa de salvar seu inútil mandato a presidente vai afundando o país.

Até quando ficaremos nessa situação de “parece que está, mas não está”?

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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