Governo Dilma: a cada dia sua agonia

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Mais um dado, mais um recorde negativo para o governo Dilma.

Tal qual um Usain Bolt “aos contrários” esse governo vai pulverizando todos os recordes negativos no campo econômico-financeiro.

A cada dia sua agonia
O dado de ontem foi o do resultado de julho das contas do governo federal. O déficit monstro foi de R$ 7,22 bilhões no mês. O pior desde que esse número começou a ser contabilizado em 1997. De janeiro a julho o déficit é de R$ 9,05 bilhões, outro recorde histórico.

Já hoje o IBGE divulgou os dados do Produto Interno Bruto (PIB) e os resultados, também, foram péssimos. Nosso PIB, no segundo trimestre de 2015 (abril–julho) recuou 1,9% em relação ao trimestre anterior, que, por sinal, também teve queda de 0,7%. Agora estamos oficialmente em recessão.

Com números como esses das contas públicas é de se duvidar que se consiga atingir mesmo a insignificante meta de R$ 5,8 bilhões de superávit que o governo quer atingir até o final do ano. Lembrando que a meta inicial de superávit era de R$ 55,3 bilhões.

O pior, no entanto, não é apenas a frieza dos números totais, mas a sua composição. Quando se olha para os detalhes cresce a surpresa negativa.

Em relação ao ano passado, as receitas aumentaram 4,3% em termos nominais (abaixo da inflação, portanto), já os gastos de custeio subiram 14,5% e os investimentos tiveram queda de 31,4%. Ou seja, grosso modo, o ajuste fiscal que o governo está operando está sendo feito, principalmente, nos investimentos e via inflação.

No caso do PIB também a sua composição é fonte de preocupação para o futuro próximo. Houve queda dos investimentos (8,1%) e do consumo familiar (2,1%). Por setor vemos que a indústria teve queda de 4,3%, a agropecuária de 2,7% e serviços caiu 0,7%.

Hoje, por sinal, a Austin Ratings divulgou dados do PIB de 35 países e conseguimos a proeza de ficarmos em 33º lugar. Estamos melhor apenas que Rússia e Ucrânia, países envolvidos numa guerra e ainda, no caso russo, fortemente dependente do petróleo, que, como todos sabemos, tem tido seguidas quedas de valor no mercado internacional.

Isso, com certeza, prejudica, ainda mais, as perspectivas de recuperação da economia do país.

Como não consegue acertar o passo com seus gastos, sejam as despesas com pessoal, sejam as de custeio, muito menos melhorar a eficiência do uso dos recursos, sobra a esse governo o que tem feito: cortar despesas e aumentar impostos. Essa perspectiva contribui, ainda mais, para desacelerar investimentos futuros e o processo de recuperação da economia.

Não por outra razão a todo o momento, tal qual fizeram ontem, surgem “burburinhos” governamentais, e confirmaram hoje, de aumento de impostos. O “burburinho” foi a recriação da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF).

Como não tem plano, programa, projeto, vai o governo atirando para todos os lados tentando ver se acerta em algum lugar. Até agora, como vemos todos, só tem acertado na “cara”, nos empregos e nos bolsos dos brasileiros.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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