Gerar e queimar riqueza

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

A bolha chinesa

Estive na China em junho, na cidade de Zhuhai e perguntando pelo preço dos imóveis, fiquei sabendo que um bom apartamento de três quartos novo poderia custar US$ 1,5 milhão. Achei muito caro e assim não fiquei surpreso com a recente queda no valor das ações das empresas no mercado de capitais.

A bolha chinesa estourou trazendo o preço supervalorizado dos ativos mais para perto da realidade e dos padrões internacionais. Os analistas se dividem sobre o futuro. Os mais pessimistas acham que ainda tem mais desvalorização para acontecer em função do artificialismo e das distorções típicas do intervencionismo estatal praticado no capitalismo de estado chinês. O mercado, desconfiado, queimou um pedaço do estoque de riqueza.

O lastro da riqueza é a confiança.

No inicio do Plano Real, em 1994, as empresas brasileiras listadas em bolsa valiam somadas US$ 80 bilhões. Antes do estouro da crise financeira de 2008 portanto depois dos oito anos de FHC e do primeiro e parte do segundo mandato de Lula, este numero chegou a US$1,8 trilhão. Em 2009 caiu muito, mas logo voltou ao mesmo patamar em 2010.

Na semana passada, antes da explosão do dólar para mais de R$ 4,00, todas as empresas brasileiras poderiam ser compradas na bolsa de valores por US$ 600 bilhões. Petrobras, Vale, Ambev, Banco do Brasil, Itaú etc. A era Dilma provocou uma queima de um trilhão e duzentos bilhões de dólares de riqueza.

Os otimistas e os pessimistas concordam que ainda vai piorar enquanto não houver no Brasil um governo que mereça confiança.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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