Futebol: o FBI entra em campo

Futebol (1998) GNT | resenha

Diogo Mainardi já disse que o único jeito de consertar o Brasil era declarar guerra ao Estados Unidos. O país seria invadido com menos mortes do que a nossa taxa anual de 100 mil e os americanos formatariam o nosso HD de 500 anos de injustiças.

Brincadeiras à parte, ontem tivemos um gostinho desse universo paralelo. Nem o mais ferrenho crítico do imperialismo estadunidense pode evitar o sorriso com a notícia da prisão de José Maria Marin. O jornalista Mário Magalhães foi quem colocou melhor: “parecia um trote de Orson Welles”. Em 1938, Orson foi ao rádio noticiar uma invasão alienígena e muita gente achou que fosse verdade. A notícia da prisão de 6 pessoas, todos cartolas graduados, mais uma possível extradição para os EUA, como se fossem da Cosa Nostra, é tão fantástica quanto surreal.

Em homenagem ao nosso combalido esporte nacional, a resenha audiovisual da semana vai para Futebol (1998), série de documentários produzidos para o GNT por Arthur Fontes e João Moreira Salles.

Nunca lançados nem DVD, os três filmes abarcam uma carreira de jogador do começo das peneiras ao dolce-far-niente da aposentadoria. O segundo documentário segue no melhor estilo do cinema direto, Lúcio e Iranildo, na época duas jovens promessas alçadas da noite para o dia ao estrelato. O terceiro foca na figura do Paulo César Caju, vivendo como rentista no Rio de Janeiro. Em uma cena melancólica, PC chora pitangas com a CBF para conseguir uma mísera passagem de avião a fim de assistir ao sorteio das chaves de grupo da Copa de 98. Jogador de futebol é mesmo a única pessoa que morre duas vezes.

Mas o que dá peso ao filmes são os depoimentos de craques do passado. Nilton Santos, Domingos da Guia, Pompéia, narram seus feitos em um preto e branco glorioso. Elas são idênticas às histórias de fama e ocaso dos personagens, imputando assim uma ideia de eterno retorno, bem característica ao nosso futebol. Segundo o artista plástico e escritor Nuno Ramos, no futebol brasileiro só pode acontecer o que já aconteceu (vide os nossos três últimos treinadores).

A não ser que o FBI apareça pra jogar.

Confira uma pequena parte que encontramos no Youtube:

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