Ferramentas para o planejamento das cidades

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Planejamento estratégico

“Alguns, sem terem dado rumo a suas vidas,
são flagrados pelo destino esgotados sonolentos”
Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.), filósofo romano

Carlos Matus Romo é uma das referências da área de planejamento estratégico. Ele nasceu no Chile em 1931 e faleceu na Venezuela em 1998. Foi ministro do Planejamento no governo de Salvador Allende (1970 – 1973) e concebeu a ideia do Planejamento Estratégico Situacional (PES).

Matus nos ensinou que todos os governantes possuem recursos de poder financeiros, humanos e regulatórios, mas, lembra-nos que eles operam num local em que existem outros atores. Assim é nas cidades, temos a prefeitura como um ator, mas também os líderes comunitários, os líderes religiosos, os empresários, movimentos pontuais que surgem aqui e ali, entre tantos que poderíamos citar.

Matus nos ensinou que todo governante deve estabelecer como pretende utilizar os recursos de poder que estão sob o seu controle, para isso praticando exercícios de cenários. No âmbito do poder existem o que denomina de problema semi-estruturado. Um problema estruturado tem causa, consequência e uma teoria da causalidade, já no âmbito do governo existem, às vezes, consequências das quais não se sabe as causas, causas para as quais não se tem uma precisa ideia da consequência e até mesmo situações em que causas e consequências estão estabelecidas, mas não existe o nexo causal entre elas.

Governar, portanto, incluir lidar com o imponderável, com o desconhecido, com problemas semi-estruturados. Por isso, diante de um problema é importante estudar, conhecer uma situação, até mesmo o que outros fizeram quando enfrentaram situações similares, mas nem sempre se tem o tempo possível para esse conhecimento se aprofundar, decisões precisam ser tomadas.

Diante disso é que se coloca a necessidade de se trabalhar com cenários, prevendo situações as mais positivas e negativas. O gestor que trabalha com esse instrumental com certeza está enfrentando as atuais dificuldades das cidades brasileiras com muito mais capacidade de aplicar melhor seus recursos de poder. Infelizmente, esse nem sempre é o caso.

Voltaremos, ainda, a Carlos Matus e outras contribuições que ele nos dá para o planejamento da vida das cidades, buscando apresentar, digamos assim, aspectos mais práticos, mas quem não conhece o mínimo de PES e outras ferramentas, fica por aí “lerdando” e pedalando, sem sair do lugar.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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