Fé e fanatismo, na política e na religião

por Sergio Vellozo Lucas

Os grupos

Quanto à fé em Deus a humanidade pode ser dividida em quatro grupos.

1- Os crentes ou teístas: São aqueles que acreditam em uma religião, ou seja, acreditam em uma instituição humana, que alega conhecer, com exclusividade, a natureza de deus. Cristãos católicos, evangélicos, Muçulmanos xiitas, sunitas, Umbandistas, Xintoístas, todos acreditam que deus foi revelado aos seus líderes espirituais.

2- Os deístas: Acreditam em um deus que tudo criou, independente de uma instituição. Não pretendem explicar a natureza de deus, que pode ser o universo, a natureza ou uma força demiúrgica desconhecida. Acreditam se conectar a deus, sem a intervenção de intermediários.

3- Os agnósticos: Não negam nem afirmam a existência de deus, não acreditam em nada que não possa ser provado pela razão.

4- Os ateus: Negam a existência de deus, no fundo “acreditam” que deus não existe, afinal da mesma forma que os crentes não podem provar com evidências a existência de deus, os ateus também não podem provar a inexistência dele.

Existem crentes que possuem uma fé para além das religiões, os crentes políticos.

Eles são iguais na forma, embora possam variar muito na essência. Para ser crente basta acreditar em alguma coisa que a razão é incapaz de provar, essa é a natureza da fé. É claro que o conteúdo pode ir do mais humano e generoso, até aos mais discricionários e perversos, mas o fato de acreditar em algo que independe de uma prova racional, torna você um crente.

Uma religião, uma doutrina, um guru, um líder ou partido político, não importa, quando você transfere a responsabilidade de discernir o certo do errado para outra pessoa, ou para um conjunto de regras que não dependam da sua percepção direta da realidade, você é um crente.

Entre os crentes, os fanáticos são minoria, mas eles são barulhentos e querem impor sua crença a todos. Alguns estão dispostos a matar e morrer em sacrifício, são perigosíssimos e causam enormes danos à humanidade, independente da natureza política ou religiosa da sua fé. Quando a política se mistura à religião, ficam ainda piores.

Crentes religiosos acreditam em céu, inferno, milagres de todos os tipos, curas impossíveis, renascimento dos mortos, carruagens que sobem diretamente para os céus, etc., varia muito de acordo com a origem da religião, mas eles só causam danos quando querem impor as crenças da sua religião à força. A maioria é tranquila e pretende propagar uma mensagem de boa vontade entre os homens.

Fé e fanatismo

Crentes políticos, como os militantes doutrinados brasileiros, acreditam em milagres ainda mais improváveis. Acreditam em líderes que dizem defender os mais pobres, enquanto enriquecem de forma obscena. Acreditam num partido que usa as empresas estatais como se fossem propriedade particular, enquanto têm a cara-pau de alegar que as defendem. Acreditam na opção social de um governo que gastou muito mais dinheiro bancando os mais ricos do que investindo na evolução dos mais pobres.

Sim, no período lulopetista gastou-se muito mais com financiamentos subsidiados do BNDES para mega empresários, tipo Eike Batista e Marcelo Odebrecht, do que com o bolsa família somado ao incentivo para micro e pequenos empreendedores, multiplicado várias vezes. É necessário ter uma fé cega para negar esses fatos.

Pior, os mega empresários não retribuíram criando empregos e gerando desenvolvimento, como é a tradicional compensação do mundo capitalista, concorde-se com ele ou não. Os mega-empresários da era petista apenas enriqueceram ainda mais, enquanto o próprio governo ajudava a eliminar a concorrência. Nenhuma contrapartida social foi exigida nesse processo, somente contrapartida política e muito dinheiro em propina para o PT.

Você, partidário do PT que se diz ateu, não somente é um crente, como é um crente fanático, daqueles que querem impor sua verdade ao conjunto da população, pouco se importando com a evidência dos fatos. Tem feito o possível para calar e intimidar os que pensam diferente.

Muito embora, no âmbito da política brasileira, os crentes e inocentes úteis estejam começando a rarear e têm sido, cada dia mais, substituídos por profissionais, mas esse é um tema à parte.

Nada do que os líderes do PT falam tem qualquer conexão com o mundo real, é preciso ter uma fé cega para acreditar neles. Uma fé num deus mundano não deixa de ser fé, fé no Lula não deixa de ser fé, nem fé no capeta deixa de ser fé.

Quanto mais estúpida e violenta a crença, mais necessária é a fé que mantém os olhos fechados às contradições, iniquidades e injustiças.

Os líderes políticos populistas também prometem o paraíso, a diferença é que esse paraíso seria aqui mesmo na terra e é possível provar que ele não existe e jamais existiu. Até o paraíso das setenta e duas virgens que aguarda os terroristas islâmicos após a morte é mais difícil de refutar do que o paraíso das utopias comunistas.

A utopia comunista depende da fé no futuro e a manutenção da sua crença no presente, depende das mentiras sobre o seu passado.

O crente na utopia comunista acredita que aquilo ainda vai dar certo em algum lugar encantado, as mentiras e as mortes no caminho se justificam em nome de um futuro igualitário. A maioria dos líderes já não acredita em nada disso, em algum ponto deixam de ser crentes fanáticos e passam a ser somente cínicos. Acontece com todos os que ficam muito tempo no poder.

Fidel Castro pode até ter sido um líder idealista e desprendido no início da revolução cubana, embora seja improvável. Hoje não há dúvidas que ele não passa de um velho bilionário, o ditador mais longevo do planeta, que mata e persegue seus opositores. Ele é pai de um playboy internacional, que viaja com luxo, mordomia e segurança de fazer inveja ao mais egoísta, ambicioso e desonesto dos capitalistas selvagens que existiam em Cuba antes da revolução.

Mas os crentes continuam tratando Fidel como se ele ainda fosse um jovem idealista, as evidências não importam para os fanáticos, as vezes nem a passagem do tempo.

Os religiosos também se perdoam pelos milhares de mortos em sua história, nas cruzadas ou na inquisição, para ficar somente entre os cristãos. Os fanáticos, não importa se a sua crença é política ou religiosa, basicamente acreditam que o fim justifica os meios.

Nos dias de hoje, as religiões cristãs já não são predominantemente fundamentalistas, como foram no passado, o fundamentalismo religioso que representa perigo para o mundo agora é islâmico. No Brasil, o perigo maior ainda vem do fundamentalismo político dos crentes fanáticos, que seguem os deuses mentirosos do PT.

Os fundamentalistas políticos podem ser tão cegos e perigosos quanto os malucos do estado islâmico, cada qual dentro do ambiente cultural da sua crença e de sua origem.

Pessoalmente só acredito naquilo que me provem e só suponho ser verdade aquilo que minha lógica pode alcançar, mas os crentes que admitem a convivência com o contraditório têm todo o meu respeito, admiração até. O religioso que não discrimina ateus, agnósticos e possuidores de outras crenças, o militante político que admite a alternância de poder e pode ganhar a vida trabalhando fora da máquina do estado.

Só acredito no que os meus sentidos e o meu raciocínio podem provar e tenho consciência que ambos podem falhar. Mudo de opinião quando um argumento é superior ao meu, dentro de uma lógica que eu possa compreender. Não aceito paixão, intensidade nem entusiasmo como argumento, apenas fatos e evidências, acessíveis à razão.

Tenho consciência que, nas palavras de Shakespeare, existem mais coisas entre o céu e a terra do que supõe minha vã filosofia, não pretendo explicar tudo.

Todos temos o direito de professar qualquer tipo de crença que nos traga conforto, mas essa crença não pode jamais ser obrigatória para o nosso vizinho, ou ela se torna uma ditadura.

Acreditar nas idéias que se provam com fatos e argumentos é a força e a fraqueza no debate honesto com as pessoas de todas as crenças, é impressionante como existem pontos de convergência entre os diferentes, quando existe o respeito à divergência.

O respeito à divergência é, por si, uma convergência entre todos os pensadores não fanáticos.

A verdadeira luta de crentes e não crentes é contra os fanáticos que ameaçam a liberdade e a diversidade de pensamento em todo o mundo. Não importa qual seja a bandeira defendida pelos fanáticos, eles sempre vão atacar com fúria qualquer sinal de discordância.

Um agnóstico moderado têm mais em comum com um religioso moderado do que com um ateu fanático. Não é coincidência o apoio de ateus fanáticos à terroristas religiosos.

Os moderados têm que se unir, independente de sua crença ou da ausência dela, os fanáticos, de qualquer tipo, são os verdadeiros inimigos da humanidade.

Sergio Vellozo Lucas | Blog do Luiz Paulo

Sérgio Vellozo Lucas

Sou médico formado pela UFF em 1986 e sou psiquiatra concursado do antigo Hospital Adauto Botelho e atual HEAC desde 1993.

Além disso sou atleta meia boca, filósofo de botequim, aspirante a escritor de bulas de remédios, pai do Joel e marido da Angelita.

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