Educação: a chave para um presente e um futuro melhor

A educação é a chave fundamental para o desenvolvimento.

A inclusão economica se faz pela educação na medida em que o capital humano é democratico por excelência. A construção de instituições includentes – como Acemoglu & Robinson postulam em seu livro – é facilitada pelo aumento do estoque de conhecimento organizado acumulado pela população, pelo despertar da iniciativa, da criatividade, do espirito crítico e do potencial de empreender que os seres humanos mais educados possuem. Transformar o Brasil num país desenvolvido implica basicamente educar mais e melhor.

Do ponto de vista individual ela nos permite aproveitar melhor as vastas criações da cultura humana, sua literatura, música, pintura, escultura, técnicas e tecnologias; ela melhora as condições de vida das pessoas, como mostra, por exemplo, o Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI) da UNICEF, que quanto maior a escolaridade da mãe menor a mortalidade infantil (como mostra matéria do jornal O Globo); ela melhora a renda das pessoas (veja, por exemplo, análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA aqui) e, por fim, aumenta a produtividade econômica do país.

Sobre esse último aspecto poderíamos lembrar o caso sempre destacado da Coreia do Sul, que nas décadas de 1960 e 1970 era um país comparável ao Brasil no que diz respeito ao nível de desenvolvimento econômico e social e hoje está muito à frente de nós. Dados de 2011 mostram que a Coreia do Sul tinha 98% de sua população entre 25 e 34 anos com nível secundário de ensino completo, já no Brasil são apenas 57%. Na mesma faixa etária, ainda em 2011, o grupo com nível superior de ensino é de 64% na Coreia do Sul e 13% no Brasil . E isso, sem falar na qualidade de ensino.

Logicamente, a chave não é somente, nem principalmente, mais educação, mas, sim, mais educação com mais qualidade. E aqui, em que pese alguns esforços pontuais e localizados, estamos mal. Muito o que avançar, como demonstram os vários resultados de exames internacionais como o PISA (ver, por exemplo, nesta matéria da Exame).

Educação é resultado de consciencia, esforço e compromisso, individual, familiar, das instituições, da sociedade. Depende muito de melhorarmos a gestão. A pergunta seria algo do gênero “Quanto gastar para fazer o quê?”. Precisamos ampliar a qualificação dos professores. Melhorar o uso das tecnologias de informação nas salas de aula. Preparar os alunos com conhecimentos que os instrumentalizem no domínios da língua nacional e de uma língua estrangeira, no raciocínio lógico-matemático e com forte conjunto de valores éticos e cidadãos.

É preciso eliminar o ranço autoritario da pedagogia tradicional que confunde ensinar com adestrar e obedecer. Valorizar o talento, a iniciativa e a criatividade desde os primeiros anos de escola é fundamental. Uma população mais educada valoriza a liberdade e aprende a ter responsabilidade e compreensão sobre as consequências das escolhas que a vida coloca para todos nós.

Só assim poderemos dar passos para inserir o Brasil na nova onda de desenvolvimento que se desenha no mundo movido pela economia criativa e pela economia verde; pelo uso intensivo de tecnologia em todas as áreas da vida moderna agora turbinadas pelo conhecimento intensivo , da esfera da economia e da produção ao cotidiano do lar, dos serviços aos governos.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

This Post Has 2 Comments

  1. Pingback: Mais um ranking, mais uma posição decepcionante, podemos, no entanto, crescer com a educação - Blog do Luiz Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>