E a COP 21, vai ter ou não acordo?

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

A data final

O prazo para se chegar ao acordo sobre as medidas necessárias para conter o aquecimento global/mudanças climáticas era ontem (11/nov). Já foi transferido para hoje.

Segundo o presidente da COP 21, e ministro das relações exteriores da França, Laurent Fabius, “as coisas seguem um bom caminho”. Será? Não parece ser exatamente assim.

Muitas controvérsias ainda permanecem. O ponto nevrálgico continua sendo o princípio das responsabilidades comuns mas diferenciadas, que é algo como quem tem mais riqueza e se desenvolveu mais ao longo do tempo deve fazer esforço maior e pagar mais caro.

Os países desenvolvidos – Estados Unidos à frente – receosos de serem os únicos a fazerem cortes nas emissões e custear boa parte dos países em desenvolvimento fazem pressão para que os principais países emissores hoje – China e Índia, principalmente, mas também Brasil e outros – tenham mais responsabilidades.

A Arábia Saudita – grande produtora mundial de petróleo – pressiona por cortes mais suaves na queima de combustíveis fósseis. E como tem muito dinheiro espalhado pelo mundo sua voz é ouvida, mesmo que não sendo exclusiva nas decisões.

A China tem críticas ao documento praticamente todo. Se os chineses – que tem muito poder nas negociações internacionais – fossem ouvidos na íntegra não haveria acordo.

O último esboço de acordo que foi publicado na noite de ontem tem notícias boas e ruins. As boas notícias são que muito pontos – pequenos e médios – de desacordo que existiam na versão anterior foram resolvidos e o documento propõe limitar o aquecimento global bem abaixo dos 2ºC (que era o que se falava anteriormente), mas apontando diretivas para se chegar a um máximo de 1,5ºC . A má notícia é que o tratado – sempre segundo esse último esboço – não apresenta números específicos de cortes de emissão de gases que causam o efeito estufa, o que pode dificultar o seu acompanhamento e cobranças específicas pelo seu cumprimento.

Teremos que aguardar até amanhã para termos notícias do desenlace da negociação. Torcer muito para que a negociação chegue a bom termo.

Não podemos nunca esquecer, penso eu, que a questão envolve não só o nosso compromisso com o tempo presente, mas também com o tempo futuro. Uma responsabilidade com as gerações que ainda estão por vir.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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