Do estelionato eleitoral ao estelionato governamental

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Um primor

A entrevista da presidente Dilma Rousseff, dada ontem a jornalistas de O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, foi um primor… um primor de desonestidade intelectual.

A tentativa de criar narrativas beira o ridículo. Não fosse trágico, seria cômico.

Sobre a crise, que para ela só foi possível conhecer em novembro e dezembro do ano passado, logo após as eleições, ela afirmou que “Talvez, tivéssemos que ter começado a fazer uma inflexão antes. Não dava para saber ainda em agosto. Não tinha indício de uma coisa dessa envergadura. Talvez setembro, outubro, novembro”.

Talvez ela devesse ter lido, ou solicitado a um de seus assessores para ler e lhe fazer um resumo, o livro Complacência, de Fabio Giambiagi e Alexandre Schwartsman, lançado em abril do ano passado. Também poderia ter acompanhado as diversas colunas de economia dos principais jornais brasileiros. Ou, quem sabe, ter ouvido o recado daquela analista do Banco Santander que ela tudo fez para demitir, e conseguiu, por sinal.

Agora a presidente descobriu a necessidade de reduzir o número de ministérios, quando em julho havia afirmado que a proposta era uma “lorota, que não trazia economia aos cofres públicos”. No entanto, ontem, enfim, ela resolveu que “quero tornar eficiente o gasto […] melhorar a gestão, detectar a sobreposição de funções e ter mais eficiência”. Isso para uma pessoa que está no governo, como ministra primeiro e depois como presidente, desde 2003. São “só” 12 anos e 8 meses para descobrir isso.

Estelionato eleitoral e estelionato governamental
Enfim a presidente – após profunda reflexão – afirma que “minha meta não pode ser irracional”. Não pode, mas é. Assim como seu errático governo que não sabe para onde vai e a cada novo problema lança uma nova narrativa para tentar ludibriar os cidadãos brasileiros.

Mais uma vez a presidente perdeu a oportunidade de ser verdadeira com os cidadãos do país. Como diz o ditado “de onde menos se espera é que não sai nada mesmo”, esse é o caso.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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