Dilma, de como o fracasso lhe subiu à cabeça

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Motivos para sorrir?

Outro dia apareceu uma imagem da presidente sorrindo. Fiquei me perguntando o motivo. Só poderia ser o pequeno alento que ela ganhou, para passar as festas natalinas, com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Menos, Dilma, menos.

Motivos para ela se preocupar com o destino político dela não faltam. Processos no Tribunal de Contas da União (TCU) por conta das pedaladas fiscais, processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por conta de, sejamos benevolentes, supostas irregularidades em suas contas de campanha, processo de impeachment na Câmara dos Deputados que voltará com o fim do recesso parlamentar no ano que vem, operação Lava Jato que continua acossando políticos do PT e seus aliados.

A presidente teria, inclusive, mais motivos ainda para se preocupar com o país. Inflação que segue em alta, desemprego que segue acossando as famílias brasileiras, desajuste fiscal completo na União e por aí vai. Isso, no entanto, não parece preocupar Dilma.

Não parece, digo, por que com a saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda e sua substituição por Nelson Barbosa, que estava no Ministério do Planejamento, volta-se a falar na receita que nos levou a esse abismo em que nos encontramos. A presidente volta a apostar em mais do mesmo. O novo ministro da Fazenda, vale lembrar, é um dos mentores intelectuais da tal Nova Matriz Econômica.

Os apelos por mais gasto público já se fizeram sentir da boca da própria presidente na posse do Ministro. Dilma revela assim que a presença de Levy foi apenas um breve interregno para que conseguisse ganhar forças a percepção de que a crise era resultado do ajuste. Ela nunca acreditou em ajuste fiscal. Até por isso esse governo, em que pese todos os discursos e entrevistas de Joaquim Levy, nunca o fez.

O diagnóstico do caso Dilma é que o fracasso lhe subiu à cabeça.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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