Dilma: confusa, mistificadora e errada

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Depois de saudar a mandioca

Virou piada, mais uma vez, nas redes sociais do país, como, aliás, não poderia deixar de ser, a confusa declaração da presidente Dilma Rousseff, feita em cerimônia referente ao PRONATEC, de que não vamos estabelecer meta, mas assim que atingirmos a meta, dobramos a meta. Didi Mocó, dos Trapalhões, iria perguntar: Cuma?

O que mais me preocupa, no entanto, são duas declarações da senhora presidente durante o evento, que mostram que ela não tem a menor ideia de onde errou e do que fazer depois que a lambança feita por ela e sua equipe da Nova Matriz Econômica, Mantega e Augustin, tiver sido consertada, e que ela ou desconhece a realidade do país e do mundo nos últimos tempos ou continua faltando com a verdade ao país. As duas opções são péssimas.

Segundo a senhora presidente, conforme citado no site G1 “O primeiro passo para esse ciclo [de expansão] é justamente garantir o controle da inflação, porque a inflação corrói tanto a renda dos trabalhadores como o lucro das empresas. E promover o reequilíbrio fiscal, a estabilidade fiscal. […] Essa redução da inflação vai criar as bases para um novo ciclo de expansão sustentável do crédito”. Ou seja, ela continua pensando o desenvolvimento econômico do país sustentado em crédito. Produtividade? Competitividade? Infraestrutura? Educação de qualidade? Nada.

Na mesma matéria a presidente é citada como tendo afirmado que “Iniciamos nossas campanhas numa conjuntura ainda mais favorável do que quando tomamos posse. Nós sabemos que, a partir da segunda metade de 2014, precisamente a partir de agosto de 2014, houve um fato importante no cenário internacional, que foi o colapso do preço das commodities. […] Esse colapso no preço das commodities foi acompanhado também por uma grande desvalorização da nossa moeda, com impactos, necessariamente, sobre os preços e sobre a inflação”. Ignora a senhora Dilma que os preços das commodities estavam em queda desde 2012? Não sabe a presidente que boa parte da inflação foi gerada pelo tarifaço de preços controlados (demagogica e eleitoralmente, por sinal) pelo governo e por excesso de demanda gerado por gastança descontrolada e crédito insustentável, ambos financiados pelo governo?

Essa mistificação permanente da realidade, com a confusão que a senhora Dilma Rousseff trata das palavras e ações de seu governo, não nos faz vislumbrar bons tempos à frente.

Pelo que podemos ver continuaremos navegando na inexatidão e na falsificação da realidade promovida pela presidente.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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