Delcídio do Amaral (PT – MS) e o fio de Ariadne

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

O Senador

Hoje pela manhã o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, foi preso pela Polícia Federal após solicitação da Procuradoria Geral da República (PGR) ter sido autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O Partido dos Trabalhadores (PT) consegue, com seu mega esquema de corrupção operado a partir de negócios da Petrobras e em outras instituições públicas – com o apoio de instituições privadas, como agora comprovado pela prisão do Banco BTG Pactual, André Esteves – mais uma “proeza”: nunca antes na história do Brasil um senador – no exercício do mandato – havia sido preso.

O senador Delcídio do Amaral, que tem que ser cassado, ao meu juízo, teve sua prisão preventiva (sem prazo delimitado, portanto) determinada pelo Supremo por crime de obstrução de Justiça.

Ele tentou subornar o ex-diretor da Petrobras, Nelson Cerveró, por meio de seu filho, para que o mesmo não o citasse na delação premiada. Por isso receberia R$ 50 mil mensais e um plano de fuga para fora do Brasil.

Na gravação da reunião para “fechar o negócio” (que começaram a ter parte de seu conteúdo divulgado hoje), na qual estavam presentes outros que foram presos no dia de hoje – André Esteves, Banco BTG Pactual; e o advogado Edson Ribeiro – o senhor Delcídio cita três ministros do Supremo: Teori Zavascki, Gilmar Mendes e Dias Tóffoli; além do vice-presidente da República, Michel Temer, e do presidente do Senado, Renan Calheiros, como pessoas que o ajudariam na solução do problema.

Agora, como determina a Constituição, o Senado terá que deliberar sobre a continuidade da prisão de Delcídio. Esperemos que não tenham os senadores nenhum pendor pela vontade de preservar “os seus”, dentro de algum “espírito de corpo”. O senador Aécio Neves (PSDB – MG), inclusive, já propôs que a votação no Plenário da Casa seja aberta. Esperemos que sim.

Fica, assim, cada vez mais evidente que esse esquema de corrupção que envolveu a Petrobras não foi coisa que envolvesse apenas alguns “peixes pequenos”. Nomes de força dentro do Partido dos Trabalhadores estão cada vez mais em cena nessa ribalta nada simpática ou gloriosa.

A Operação Lava Jato já teve 21 etapas. Esse novelo que ela está desenrolando parece grande, infindável as vezes, mas cada vez mais estou convencido de que o Juiz Sérgio Moro e a equipe de Procuradores federais, da Polícia Federal, da Receita Federal e outros que estão trabalhando na Lava Jato acharam o fio de Ariadne que – quem conhece mitologia grega sabe – foi o fio que trouxe o jovem Teseu de volta do labirinto, após matar o minotauro.

Eles ainda não desenrolaram o novelo todo, mas cada vez mais, parece que estão mais perto do Minotauro. Esperemos que sim.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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