Consertar e desenvolver as cidades é consertar e desenvolver o Brasil

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Protagonismo dos estados e municípios

Estou convencido de que a agenda para o Brasil sair da crise e, mais do que isso, fomentar um desenvolvimento que seja sustentável passa pela promoção de um novo modelo federativo, avançando nas políticas de descentralização e estabelecendo o protagonismo para estados e municípios. Por isso, a partir desse mês de setembro, esse Blog começa a explorar aspectos teóricos, conceituais e práticos dessas possibilidades.

A base teórica dessa discussão está centrada em três vertentes diferentes, cada uma com um aporte significativo de temas e questões que são significativos para podermos nos desvencilhar do ambiente pessimista atual. Mas, também, para proposições que façam avançar as políticas de desenvolvimento, sem malabarismos que nos levam, volta e meia, a retrocessos significativos nos padrões de vida das cidades e dos cidadãos.

Consertar e desenvolver as cidades é consertar e desenvolver o Brasil

O primeiro aspecto da discussão é aquilo que se chama de dinamismo das cidades, analisado em três dimensões: populacional, econômica e de tamanho/crescimento. O segundo é a geoeconomia das cidades, sustentado na adaptação das teorias dos rendimentos crescentes de Joseph Stiglitz, feita por Paul Krugman. Já o terceiro é a questão do marketing das cidades, analisando e potencializando as vantagens competitivas desses entes federativos, amparado também em três aspectos: investibilidade, habitabilidade e visitabilidade, com base no modelo de Philip Kotler, que adaptou o modelo de análise das nações de Michael Porter.

O debate permite uma gama quase sem fim, contudo bastante concreto e propositivo, sobre os caminhos que devemos e podemos percorrer: economia verde e criativa; uso renovável de energia; uso produtivo daquilo que erroneamente chamamos lixo; conservação e uso do patrimônio ambiental e cultural; políticas de geração de renda e ações de microcrédito; desburocratização e eficiência da gestão pública; políticas de assistência social em rede; cultura como fonte de educação, trabalho, renda e lazer; novas tecnologias para a qualificação da educação, saúde, mobilidade urbana e segurança pública; revitalização e criação de novos espaços urbanos; qualificação das áreas urbanas degradadas e promoção de potencialidades locais.

Estamos apenas começando, a contribuição de todos será muito bem-vinda.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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