Complacência: entenda por que o Brasil cresce menos do que pode

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

O baixo crescimento econômico brasileiro

Esse é mais um livro da série que se precisa ler para entender as razões do baixo crescimento econômico brasileiro, lançados no ano de 2014. Um mérito inegável do texto é sua linguagem para não iniciados no economês – uma preocupação constante de Fábio – permitindo que todos compreendam as mudanças que se precisam operar nos rumos do país se queremos, como podemos, voltar à crescer.

Fabio Giambiagi e Alexandre Schwartsman
Os autores logo na epígrafe da obra colocam claro a sua visão de mundo e a recepção que esperavam para o livro. Para esta citam Bertrand Russell quando o mesmo afirma que “nada irrita tanto os governantes como a sugestão de que talvez podem não ser tão sábios quanto julgavam” e Maquiavel que destaca “Julgo ser impossível descrever a realidade atual sem ofender a muitos”, já sobre o primeiro aspecto citam Gaspar Silveira Martins que lá no distante 1879 reconhecia que “Princípios? Eu sou liberal, e liberal inteiro, não sou liberal de conveniência, desses que aceitam um princípio para si, e o negam para os outros”.

Postas assim as “cartas na mesa” o livro vai, ao longo dos seus quinze capítulos, apresentando as mazelas nacionais que dificultam o crescimento econômico. Passam por inúmeras questões, desde as questões do desperdício, no capítulo 7, intitulado O monumento à ponte; pelo papel da educação, no capítulo 8, A Finlândia não é aqui; até a questão da previdência, no capítulo 14, A tia doida ou “O Japão vai ser aqui”.

No capítulo 15, o final, intitulado O fim da vida fácil, deixam claro as cinco preocupações centrais para a promoção do crescimento aquilo que denominam de pentágono virtuoso: competição, poupança doméstica, infraestrutura, educação e gasto público eficiente. Todos condições fundamentais para gerar a base sustentável para o crescimento econômico de qualquer nação: a produtividade, que, como assumem, é uma obsessão.

O livro é uma crítica impiedosa, direta e assumida, à “política econômica” da maior parte dos governos de Lula e Dilma, mas também destaca questões centrais do comportamento político da sociedade brasileira que impulsionam soluções econômicas fáceis, mas, ao longo do tempo, insustentáveis.

A vida fácil, como destacam os autores e estamos percebendo claramente desde o final do ano passado, acabou. A hora é de “arregaçar as mangas” e implementar políticas que permitam o desenvolvimento econômico sustentável do país. Boa leitura.

Fabio Giambiagi, de quem resenhei um livro na sexta-feira passada, é mestre em economia e um dos mais prolíficos autores sobre economia em nosso país atualmente, sua obra já passa de vinte volumes, seja como autor ou organizador. Veja mais.

Alexandre Schwartsman é doutor em economia, foi economista chefe do Banco Santander Brasil e diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, durante o primeiro mandato do presidente Lula (2003-2006).

Confira baixo o vídeo com pequenos depoimentos de Fabio Giambiagi e Alexandre Schwartsman sobre o livro Complacência

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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