Compensar ou não compensar, eis a questão!?!?

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Efeito estufa

Mais de 180 países, dos 190 presentes na COP 21, em Paris, apresentaram suas metas nacionais de contribuição para a redução de emissão de gases que causam o efeito estufa, as chamadas INDCs. Essas metas, no entanto, seriam suficientes para limitar o aumento da temperatura da Terra, comparada aos padrões de antes da Era Industrial, até 2100 em 2,7ºC, o que é insuficiente.

Como já alertou o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), um aumento superior a 2ºC traria consequências graves como, por exemplo, a redução de oferta de água doce, o aumento de eventos extremos (como furacões) e a extinção de inúmeras espécies.

O leitor do Blog estará pensando, mas afinal se as propostas já chegam a 2,7ºC reduzir para 2ºC será fácil. Nem tanto.

Essa pequena diferença custará alguns (muitos) bilhões de dólares para investimentos de recuperação ambiental e/ou redução de emissão de gases de efeito estufa. Muitos países não têm condições de arcar com esses custos e/ou não concordam que devam ser eles e não os países desenvolvidos a pagar por isso.

Mesmo sabendo que em 2009 foi criado o Fundo Verde do Clima, para apoiar esse processo de mudanças, e que esse fundo no ano passado já mobilizou 64 bilhões de dólares, dentro de uma meta de que até 2020 consiga arrecadar 100 bilhões de dólares anualmente, muitos países ainda resistem.

O que está em jogo, portanto, para além da questão de quem deve pagar o maior custo pelos investimentos necessários, é se estamos dispostos a compreender – a partir das evidências empíricas do cotidiano e das análises científicas – que as mudanças climáticas estão em curso e que para detê-las precisamos realizar mudanças no nosso uso dos recursos naturais e na emissão de gases que causam o efeito estufa.

Esperemos que a COP 21 consiga compreender tal e fazer o acordo necessário para limitar o aumento da temperatura. Como disse o ministro francês das relações exteriores, Laurent Fabius “É verdade que nem tudo se resolverá em Paris, mas sem Paris não se resolverá nada”. O mundo que se preocupa com o futuro olha para Paris com apreensão e esperança

Vejamos o que acontece nos próximos dias. O encontro acaba no dia 11 de dezembro, próxima sexta-feira. É o tempo que se tem para se atingir o acordo.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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