Combate ou guerra ao terror?

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Estratégia

Uma consequência direta e efetiva dos atentados de Paris é a necessidade de enfrentamento dos grupos terroristas espalhados pelo mundo, de modo geral, e em específico do denominado Estado Islâmico (EI).

Tal qual no pós-11 de setembro de 2001, com os atentados nos Estados Unidos da América, ou no pós-11 de março de 2004, com os atentados na Espanha, ou no pós-7 de julho de 2005, com os atentados na Inglaterra, surge a discussão sobre a forma que esse enfrentamento deve se dar.

Mais do que definir uma nome, seja ele Guerra ou Combate ao terror, o que importa, ao meu juízo, é a estratégia a ser adotada.

No caso francês, como no de outros países europeus e pelo mundo, o terrorismo não é algo “simplesmente vindo de fora”. Por mais que a decisão de realizar um ataque ou até mesmo alguns participantes tenham sido levados das áreas sob o controle do Estado Islâmico na Síria e no Iraque, como já destacou François Hollande, presidente da França, houve cumplicidade de pessoas de dentro da França.

Isso coloca, de pronto, como tem destacado especialistas na questão, a necessidade de um grande trabalho de inteligência. Por certo, é importante, a ampliação da presença física das forças de segurança nas ruas de Paris e de outras cidades francesas, mas este não é um combate tradicional de uma guerra onde se sabe onde estão os “soldados do outro exército”.

A França tem cerca de 10% de sua população, algo em torno de 6,5 milhões de pessoas, de ascendência árabe e/ou muçulmana. E entre esses, não há como negar, estão potenciais “recrutas” para o Estado Islâmico.

Não por acaso cerca de trezentos franceses foram para a Síria combater nas fileiras do EI. Para identificar os possíveis membros ou simpatizantes do EI numa população como essa não será com batidas policiais ou com o exército nas ruas. Exige-se amplo trabalho de inteligência. Ademais, terão os franceses que ampliar o processo de integração desses grupos na sociedade francesa, impedindo que se tornem alvos para o recrutamento do EI, da Al Qaeda ou de qualquer outro grupo terrorista islâmico.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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