Combate à pobreza nos municípios

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

O cenário atual

O combate a pobreza é – ou deveria ser – um dos aspectos centrais da ação dos municípios brasileiros. Especialmente em momentos de crise, como o que agora vivemos, em que a pobreza, infelizmente, já está aumentando – principalmente por conta do desemprego e da inflação – e irá aumentar ainda mais.

Muitas vezes se pensa que em “cidades ricas” com Vitória não existe pobreza, alguns pensam que os pobres que “aparecem” na cidade são apenas dos municípios vizinhos. Ledo engano.

É fundamental que mesmo cidades que têm um maior dinamismo como Vitória percebam o seu papel nesse tipo de enfrentamento. No âmbito local são necessários mais que os programas de transferência de renda, que, por óbvio, como já demonstrado por Ricardo Paes de Barros, têm seu papel.

Para combater a pobreza no âmbito local dois aspectos são fundamentais: espacialização e visão sistêmica.

A espacialização significa delimitar territórios, verificar suas necessidades, quantificá-las. Diferentes regiões demandam diferentes tipos de ação. Em alguns bairros a questão dos idosos será mais relevante, em outros serão aspectos ligados à educação infantil e por aí vai. Para isso, além de princípios gerais, é preciso conhecimento, informação, dados. Uma mesma doença, por exemplo, pode ter diferentes razões.

A visão sistêmica significa integrar ações multissetoriais de combate à pobreza. Assistência social, saúde, educação, transportes, entre outros.

Foi por esse tipo de visão e ação que o Projeto Terra constituiu-se num grande elemento – porque não dizer, sucesso – no enfrentamento da pobreza: espacialização e ação multissetorial. Pena que esse modus operandi tenha se perdido no improviso em que se transformou a gestão da Prefeitura de Vitória.

Apenas para exemplificar, vale lembrar que conseguimos reduzir a mortalidade infantil de 33 por mil nascidos vivos para 8,7, e isso num período menor que os planejados dez anos.

Assim, penso que se as cidades se prepararem de forma organizada e planejada poderão fazer muito para o combate a pobreza, e o que é melhor e fundamental garantindo melhores condições de vida e perspectivas para que as pessoas deixem essa condição.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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