Brincadeira não tem hora

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Raul Velloso

No último dia 12 de outubro o economista e especialista em finanças públicas, Raul Velloso, publicou um artigo fundamental no jornal O Globo. É intitulado Vai sobrar para os pobres, e nos mostra com números bastante claros – para os ainda recalcitrantes – da difícil situação fiscal a que o país foi levado nos últimos anos.

Mais importante, talvez, quando ouvimos a demagogia lulo-dilmista bradar novamente a defesa dos pobres (quando na verdade o que fizeram ao longo desses muitos anos de poder foi a “defesa” deles mesmos e dos muito ricos amigos do “rei” e da “rainha”), ele nos lembra que o custo desse desequilíbrio fiscal pode – como já ocorreu no passado – recair sobre os mais pobres na forma da hiperinflação.

Os números são claros e estão lá. Apenas enfatizo um deles:

75% do gasto do governo federal é para o pagamento de pessoal.

Sobra pouco, muito pouco, quase nada, para ações estruturantes e de impacto social também significativo. Seja em educação, seja em saúde, seja em investimentos. Mais preocupante, como demonstra o economista, é que a tendência desses gastos para os próximos anos é a de continuar subindo acima do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e do crescimento real da receita. Isso não vai dar certo.

Precisamos, rapidamente, repensar o país que queremos, para o presente e o futuro. Para podermos garantir aos brasileiros – agora e depois – uma qualidade de vida decente e sustentável é necessário que tenhamos riqueza para distribuir.

De outro modo, corremos o risco de rapidamente perdemos todo o esforço – que custou tanto sacrifício aos brasileiros – de estabilização da economia do país. Aí, a vaca terá ido para o brejo, e nos veremos, mais uma vez, desorganizando a economia e a política do país e, principalmente, penalizando os setores mais pobres da sociedade brasileira.

Tem uma música de Zeca Pagodinho que diz que ‘brincadeira tem hora’, para esse tipo de ‘brincadeira’ que o governo tem feito, não tem.

Chega de demagogia.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>