Brasil: uma biografia

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Resenha

Este é um livro fundamental sobre a história do Brasil. As autoras, Lilia M. Schwarcz e Heloísa M. Starling, historiadoras competentes e reconhecidas no meio, como me atestam os amigos da área, e de um público mais amplo, nos brindam com um passeio – aqui não no sentido de um andar despreocupado, mas, muito pelo contrário, com a característica de um olhar aguçado – por esses mais de 500 anos de história do país.

Acho justo apontar que o que tece a narrativa do texto é a política, não no sentido estrito de fatos políticos, mas num mais amplo de relações de poder que se desenvolveram na sociedade brasileira ao longo dos tempos, mas não é só ela a condutora dessa história que as autoras nos apresentam. Elas vão entremeando, com grande capacidade, aspectos sociais, culturais, étnicos, econômicos e tudo mais.

É esse o aspecto que mais me chama a atenção na obra que, lançada esse ano, já considero um dos clássicos da historiografia brasileira.

A seção iconográfica do livro, com suas 137 imagens, também é superlativa. Pinturas, cartazes e fotografias que retratam momentos e personagens especiais de nossa travessia.

Sou daqueles que, sem olhar de forma saudosista para a história, e mesmo desconfiando de nossa capacidade de entendê-la em sua inteireza, continuo acreditando que a história pode nos ensinar algo sobre nós mesmos no tempo presente e evitar que caíamos nas tentações dos caminhos fáceis, mas desastrosos, ou, ao menos ruins, que trilhamos. Não que ela se repita. Alguém já disse que a primeira vez é tragédia e a segunda é farsa.

Por tudo isso, a leitura dessa biografia do Brasil é um dos presentes que cada um de nós pode se dar.

Como destacam as autoras no penúltimo parágrafo do livro (2015, p. 507) “[…]. Claro que não há por que transformar uma conclusão num ponto final, muito menos numa cartilha de uso imediato. Toda história é aberta, plural, e permite muitas interpretações. A que tentamos desenhar aqui mostrou o quanto vem sendo difícil a nossa construção cidadã. De toda forma, os desafios para que se altere o imperfeito republicanismo do Brasil são muitos: a sua persistente fragilidade institucional, a corrupção renitente, o bem público pensado como coisa privada. A grande utopia que sabe ainda seja acolhermos os valores que têm como direção a construção do que é público, do que é comum”.

Como gosta de dizer sempre um amigo “mais não disseram, mais não era preciso dizer”. Boa leitura.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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