Boyhood – Da Infância à Juventude (resenha)

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

12 anos

Boyhood foi filmado ao longo de 12 anos, e o principal personagem do filme é o tempo. Vê-lo sendo impresso no rosto dos atores é uma mágica tão maravilhosa quanto o ET voando com a lua cheia ao fundo. É melhor que os dinossauros de Jurassic Park ou os gatos azuis falantes de Avatar.

Mas a sensação que se tem é de ver 12 curtas e não um filme completo. É desigual o resultado dos pequenos capítulos de dramaturgia que Richard Linklater construiu. A infância de Mason é cheia de descoberta, dor e fúria, mas é só ele fazer 14 anos e ganhar uma corcunda, que o filme também entorta, e fica tão blasé quanto seu personagem.

12 anos são muito tempo. Para um jovem de 14 é quase sua vida inteira. Então imagino que Ellar Coltrane não estava muito animado pra ir gravar aquele filme que em sua cabeça não ia ficar pronto nunca. Você pode sentir a falta de tesão do ator quando o menino passa da puberdade. No fim o diretor fez um documentário, e partir do momento que seu ator entrou nos anos difíceis, ele se deu por satisfeito em não investigar mais o que se passava na cabeça no menino.

O resultado são cenas vagas, discursos batidos e repetição de temas. No fim do filme dá vontade de ver de novo, mas essa vontade é fruto de um sentimento angustiante, como se uma vida passasse em branco e a gente tentasse voltar atrás para tentar conhecê-la melhor e ter a confirmação de que ela valeu a pena.

Boyhood não mantém a qualidade da primeira hora de filme e engata o automático do meio pro fim. O resultado é amargo, como uma vida passada no fastfoward onde dormimos, ou nos foram cortadas as cenas mais importantes. Talvez Mason dos 14 aos 18 tenha realmente tido poucos interesses. Mas uma vida com poucos interesses não dá um panfleto, quanto mais um filme.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

Confira o trailer oficial

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