As cidades e o aquecimento global

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

As cidades

As cidades são uma força central no desenvolvimento da humanidade. Tem sido assim desde muito tempo, especialmente a partir do século XVIII, quando se transformaram, definitivamente, como o espaço da inovação e das transformações.

Hoje, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), as 100 maiores metrópoles do mundo produzem algo em torno de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Os habitantes do planeta já são pouco mais de 50% da população mundial, e as estimativas apontam que em 2050 seremos mais de 65%. No Brasil a concentração populacional nas áreas urbanas é ainda maior, mais de 85%.

Se queremos ser sérios no nosso esforço – que é fundamental – no combate ao aquecimento global teremos que necessariamente envolver as cidades. Não é possível imaginar que a solução do problema está tão somente no espaço rural ou nas florestas, via de regra distantes das cidades.

A pauta de ações para o combate ao aquecimento global é, certamente, extensa, mas podemos destacar desde já pontos em que as cidades podem e devem agir: pesquisa e uso de energias alternativas; uso eficiente de energia; melhorias na iluminação pública; reuso de água; conservação e ampliação das áreas verdes; plantio de árvores; construções novas com novos padrões; reordenamento na mobilidade urbana e ampliação do uso de transportes coletivos.

Como podemos ver em Vitória, a cidade com mais recursos humanos, técnicos, materiais e financeiros do Espírito Santo, a atual prefeitura não consegue fazer funcionar um simples reordenamento do transporte coletivo na cidade, imagine organizar uma pauta tão ampla como a acima apontada e coordenar os esforços da Região Metropolitana em torno da questão.

Infelizmente, não será com a atual gestão da cidade que conseguiremos isso. Precisamos pensar e agir rápido sobre o tema, não é possível postergar o encaminhamento de soluções para a questão.

Imagem: Álvaro Alexandre Amorim

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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