A fênix islamita: o Estado Islâmico e a reconfiguração do Oriente Médio

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Resenha

Loretta Napoleoni é mestre em Relações Internacionais e doutora em terrorismo, além de jornalista de altíssima qualidade. Em sua nova obra*, A fênix islamita, a autora nos apresenta o fenômeno que atualmente conhecemos como Estado Islâmico.

No livro a autora nos apresenta o novo tipo de terrorismo que esse grupo constituiu. Um grupo que se transformou num Estado terrorista.

Um Estado terrorista que, em que pese sua aparência de atraso, com a mensagem do fundamentalismo islâmico, sabe, na verdade, muito bem usar a moderna tecnologia da comunicação e informação tanto para recrutar combatentes, arrecadar dinheiro, promover guerra psicológica.

Um Estado terrorista que, por sinal, já controla uma área maior que a Grã-Bretanha, e sabe empreender uma guerra de conquista tradicional, como vemos em áreas da Síria e do Iraque, mas também sabe mobilizar a população para os assuntos de administração da vida cotidiana nas cidades sob o seu controle.

O Estado Islâmico conseguiu compreender todas as limitações dos grupos jihadistas tradicionais – como a Al-Qaeda e outros – e se transformar numa nova alternativa para aqueles que buscam um governo forte e baseado em princípios morais rígidos. Para isso, mesmo que para o nosso horror, implantam, onde chegam e conquistam, um governo severo e cruel regido pela Lei Islâmica, a Xária.

As consequências humanitárias da ação desse grupo já estamos percebendo com os assassinatos em condições absurdas que eles promovem de seus reféns e com a massa de refugiados que vemos diariamente chegar aos países europeus. As consequências políticas só agora começamos a vislumbrar, as perspectivas são sérias e sombrias.

Para aqueles que querem compreender a situação atual do Oriente Médio de modo geral e o Estado Islâmico de modo particular, esse é um livro que deve ser lido. Boa leitura.

* Ela também tem publicado no Brasil: Economia bandida e Maonomics.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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