A desvalorização do yuan

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Balança Comercial

A senhora Dilma Rousseff tem mais um problema em suas mãos. Não bastassem os problemas políticos, econômicos e sociais, causados por suas ações ao longo do primeiro mandato com a falecida Nova Matriz Econômica, agora a presidente enfrentará o processo de desaceleração da economia chinesa e a recente desvalorização do yuan, a moeda daquele país.

A desvalorização do yuan
Vale destacar que com a desvalorização do yuan, de quase 4% nos últimos dias, o Brasil perde duas vezes. Suas exportações para a China ficarão mais caras, podendo reduzir o seu total, e as importações da China, mais baratas, prejudicando, ainda mais a indústria nacional, e afetando negativamente a balança comercial do país.

Lembre-se que a participação da China nas exportações brasileiras, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) está na faixa de 18% ao longo dos últimos anos. (Ver relatório aqui) e, portanto, tem peso significativo nos nossos resultados.

O saldo da balança comercial entre os dois países ainda é favorável ao Brasil, mas no ano de 2014 sofreu forte queda. De um saldo positivo de mais de US$ 8,7 bilhões em 2013, caiu para cerca de US$ 3,2 bilhões no ano passado. Essa desvalorização do yaun, que apresenta expectativa de maior depreciação nos próximos dias e/ou meses, pode, ao fim e ao cabo, transformar o superávit em déficit.

Se olharmos a nossa pauta de exportação para a China verificamos, objetivamente, que enviamos para aquele país basicamente produtos primários, enquanto eles nos enviam bens de capital e produtos manufaturados.

Agora sim, a senhora Dilma Rousseff terá um problema internacional (crise internacional que agora os petistas descobriram como a causa de todos os nossos males na atual narrativa do poder) para chamar de seu.

Mais um problema para adicionarmos numa pauta já tensa e que o governo não consegue desenrolar.

Sinceramente, não consigo confiar na capacidade desse governo para resolver mais esse problema. De novo, devemos, mais uma vez, apelar à capacidades dos empreendedores brasileiros para com sua criatividade e capacidade, tão conhecidas e reconhecidas especialmente em momentos de crise para enfrentarmos mais esse desafio.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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