A COP 21 e as cidades

por Luiz Paulo Vellozo Lucas

Mega-cidades

Hoje, segundo dados da ONU, 54% da população mundial mora em cidades. Em 2050 a população urbana será de 66%. Serão mais de 6 bilhões de pessoas vivendo nas cidades.

Em 1990 tínhamos 10 “mega-cidades” (cidades com mais de 10 milhões de habitantes), num total de 154 milhões de pessoas; em 2014 já eram 28 “mega-cidades”, com 453 milhões de habitantes.

Apresento esses dados brutos e de mega números apenas para ilustrar a importância das cidades na solução dos problemas do aquecimento global. Por certo, sabemos que parte da pressão das mudanças climáticas são fruto do aumento das áreas agricultáveis e de pastagens, que provocam desmatamento, e contribuem para o aquecimento. Mas a crescente demanda de alimentos – não esqueçamos – vem das cidades.

Precisamos, fundamentalmente, reduzir a emissão dos materiais fósseis e aumentar o uso de energias renováveis. Se cada um de nós olhar a nossa volta ou estamos usando energia (como eu, quando estou digitando este texto) ou coisas que usaram energia para serem produzidas. Precisamos mudar nossos modos de produzir as coisas, reduzindo o uso de materiais não renováveis e utilizar materiais que utilizem menos energia.

São as cidades que podem realizar grandes campanhas e mobilizações em torno dessas questões. Modificando, por exemplo, a iluminação pública, estimulando o uso de transportes coletivos ao invés do transporte individual (no caso dos veículos automotores, por certo), cobrando o reuso da água e o reaproveitamento do lixo e de todos os materiais reutilizáveis, modificando padrões construtivos para habitações mais abertas que utilizem menos iluminação artificial, estimulando hábitos de alimentação mais saudáveis que reduzam o consumo de carnes e ampliando a criação de pequenas hortas individuais, para aquele micro consumo de temperos, por exemplo, realizando grandes atividades de plantio de árvores nas cidades e nos seus arredores.

São infinitas as possibilidades. Cabe a todos fazer a sua parte, mas, as cidades, especialmente, podem desempenhar um papel essencial nesse processo de luta contra o aquecimento global. Para isso, por certo, precisamos de gestores comprometidos e com visão de futuro, com capacidade de com as soluções e tecnologias existentes articular a sua consecução que deem exemplos práticos em várias áreas e não que pensem, como o alcaide da nossa capital, que apenas sair pedalando uma bicicleta em alguns fins de semana irá gerar algum tipo de mudança necessária.

1 Ver essas e outras informações no link

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Capixaba, 58 anos, pai do André, Laura e Rafael – e avô do Dante.
Engenheiro de produção formado pela UFRJ, pós-graduado em desenvolvimento econômico (BNDES) e economia industrial (UFRJ).
Funcionário do BNDES desde 1980, professor da PUC-RJ e da FDV e atualmente sou presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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